
O governo do Reino Unido iniciou um teste envolvendo a restrição do uso de redes sociais por centenas de adolescentes, após o Parlamento rejeitar a proposta de proibir completamente o acesso para menores de 16 anos.
Anunciado na quarta-feira, o projeto piloto terá duração de seis semanas e envolverá cerca de 300 jovens em diferentes regiões do país. A iniciativa prevê diversas medidas, como limites de tempo de uso e até horários específicos em que os aplicativos poderão ser acessados.
A ação integra um programa digital mais amplo lançado neste ano, que já reuniu cerca de 30 mil contribuições de pais e crianças sobre os efeitos das redes sociais na saúde e no bem-estar dos jovens. O projeto está previsto para ser concluído em 26 de maio.
O experimento será dividido em quatro grupos. Em um deles, os responsáveis deverão utilizar ferramentas de controle parental para bloquear ou restringir determinados aplicativos. Outro grupo terá o uso limitado a uma hora diária em plataformas populares como Instagram, TikTok e Snapchat. Já um terceiro grupo seguirá regras de “toque de recolher digital”, ficando sem acesso entre 21h e 7h. O último grupo não terá qualquer tipo de restrição, servindo como base de comparação.
A iniciativa surge após parlamentares britânicos rejeitarem a inclusão de uma proibição para menores de 16 anos no projeto de lei Children’s Wellbeing and Schools Bill, no início do mês.
Logo depois da decisão, órgãos reguladores como a Ofcom e o Escritório do Comissário de Informação reforçaram a necessidade de as plataformas digitais ampliarem a proteção de crianças e adolescentes. Entre as recomendações estão o uso mais eficaz de verificação de idade e medidas para evitar o contato de desconhecidos com menores.
Enquanto isso, outros países já avançam com legislações mais rígidas. A Austrália foi pioneira ao proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos em dezembro. Na Europa, a Espanha adotou medida semelhante em fevereiro, tornando-se a primeira do continente a implementar a restrição.
Na França, a Assembleia Nacional também aprovou uma proposta para limitar o acesso de menores de 15 anos às redes sociais. A medida poderá entrar em vigor no próximo ano letivo, a partir de setembro, caso receba aprovação final do Senado.
Paralelamente, o Reino Unido conduz um amplo estudo científico para entender como a redução do uso dessas plataformas influencia a saúde dos adolescentes. A pesquisa analisa fatores como qualidade do sono, níveis de estresse, imagem corporal e outros aspectos do bem-estar.
O estudo é liderado pela professora Amy Orben, da Universidade de Cambridge, em parceria com o Bradford Institute for Health Research, e deve envolver cerca de 4 mil estudantes entre 12 e 15 anos, distribuídos em 10 escolas.
No campo jurídico, a Meta — empresa responsável por Facebook, Instagram e Threads — foi condenada por um júri no Novo México a pagar aproximadamente 400 milhões de dólares em indenizações, após ser considerada negligente na proteção de crianças contra predadores em suas plataformas.
Além disso, um processo em Los Angeles analisa se a Meta e o YouTube desenvolveram intencionalmente mecanismos que incentivam o uso excessivo, contribuindo para problemas de saúde mental em usuários menores de idade. O júri avalia se as empresas devem ser responsabilizadas pelos danos alegados.



