Presentes em celulares, automóveis, eletrodomésticos e sistemas de inteligência artificial, os semicondutores são fundamentais para a tecnologia moderna, mesmo que passem despercebidos no dia a dia. Esses componentes, que controlam o fluxo de energia em dispositivos eletrônicos, foram apontados como ativos estratégicos para o desenvolvimento econômico e a soberania digital durante o primeiro dia do South Summit Brazil 2026, realizado nesta quarta-feira (25) em Porto Alegre.
O painel contou com a participação do presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, e do CEO da Chipus Microeletrônica, Murilo Pessatti. Os especialistas discutiram desde a complexidade da cadeia produtiva até os caminhos para inserir o Brasil de forma competitiva no setor global de semicondutores.
O que são semicondutores e por que são estratégicos
Embora amplamente presentes, os semicondutores ainda são pouco compreendidos fora do meio técnico. Segundo Pessatti, a cadeia produtiva se divide em três etapas principais: design (projeto), fabricação e encapsulamento/testes.
É na fase de concepção que se concentra o maior valor agregado. A Chipus, empresa brasileira com atuação global, foca justamente no design de circuitos integrados para diversas aplicações. “Essa área se tornou estratégica e mais visível depois da pandemia e só vai ganhar importância diante do contexto geopolítico e da interdependência global da cadeia”, afirmou Pessatti.
Prikladnicki destacou que o avanço dos semicondutores está diretamente ligado a três tendências: expansão dos data centers, desenvolvimento da inteligência artificial e evolução dos chips. Nesse cenário, o Rio Grande do Sul busca se consolidar como um polo emergente, com políticas de atração de investimentos, capacitação de profissionais e fomento à inovação.
Estratégia do Rio Grande do Sul para o setor
O programa Semicondutores RS estruturou uma política específica para o setor, considerada única no Brasil, com o objetivo de acelerar projetos existentes e estimular novos empreendimentos. Entre as ações recentes estão missões internacionais ao Japão e à China e articulações para integrar o Estado à cadeia global de semicondutores.
Entre os projetos de destaque está a instalação da fábrica da Tellescom Semicondutores em Cachoeirinha, Região Metropolitana de Porto Alegre, voltada à produção de componentes para os setores de comunicações, automotivo e computação avançada.
Combinados com as iniciativas da Chipus Microeletrônica, os investimentos previstos somam cerca de R$ 1 bilhão, com potencial de gerar mais de mil empregos. No caso da Chipus, o acordo prevê a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento em microeletrônica, focado em design de chips e tecnologias para computação escalável, incluindo inteligência artificial e computação quântica.
Desafios: energia, investimentos e capital humano
O crescimento do setor também traz desafios técnicos. A necessidade de conectar um número maior de processadores aumenta a demanda por energia, tornando a eficiência energética um foco central do desenvolvimento de chips. “O consumo de energia é hoje o foco dos chips. A arquitetura precisa pensar em performance, mas também em eficiência”, explicou Pessatti.
Além disso, o fortalecimento da indústria de semicondutores no Brasil depende de investimentos de longo prazo e de políticas públicas consistentes. A formação e retenção de talentos qualificados é outro desafio, já que o país precisa evitar a evasão de profissionais especializados para o exterior.
Especialistas concordam que o sucesso do setor no país dependerá da capacidade de integrar inovação, investimentos e capital humano em um cenário global cada vez mais competitivo e marcado pela reorganização das cadeias produtivas.



