
O crescimento dos casos de câncer no Brasil tem colocado o sistema de saúde sob forte pressão, evidenciando a urgência de estratégias que ampliem o acesso tanto ao diagnóstico quanto ao tratamento. Conforme dados do Instituto Nacional de Câncer, a previsão para o período entre 2026 e 2028 é de aproximadamente 781 mil novos diagnósticos por ano. Nesse contexto, pesquisas apontam que tratar a doença em fases avançadas gera custos muito mais elevados do que quando ela é identificada precocemente.
Segundo o oncologista Dr. Edilmar Moura, diretor de Ensino e Pesquisa da Liga Norte Riograndense Contra o Câncer, a adoção de tecnologias mais modernas pode ser uma das soluções mais eficientes para melhorar o desempenho do sistema de saúde e ampliar sua capacidade de atendimento no futuro.
Informações do movimento Todos Juntos Contra o Câncer mostram que pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam, em média, cerca de 50 dias de espera para confirmar o diagnóstico e até 75 dias para iniciar o tratamento. Esse cenário é ainda mais desafiador em regiões como Norte e Nordeste, onde há carência de infraestrutura e de profissionais especializados.
Para o especialista, a discussão sobre investimentos na área da saúde deve considerar o impacto da tecnologia em toda a jornada do paciente.
De acordo com ele, a demora no diagnóstico e no início do tratamento compromete os resultados clínicos e eleva significativamente os gastos do sistema. Estudos indicam que o custo de tratar um câncer em estágio avançado pode ser até cinco vezes maior do que quando a doença é detectada cedo. Assim, investir em inovação tecnológica não é apenas uma evolução, mas uma medida essencial para garantir a sustentabilidade do sistema.
O médico também destaca que equipamentos modernos, já presentes em alguns centros de referência no Brasil, têm potencial para aumentar a capacidade de atendimento e reduzir o tempo necessário para os tratamentos. Entre eles estão os aceleradores lineares de última geração utilizados na radioterapia, que contam com técnicas avançadas como radioterapia de intensidade modulada (IMRT), radioterapia volumétrica (VMAT) e tratamentos guiados por imagem (IGRT).
Essas tecnologias permitem atingir o tumor com mais precisão, preservando tecidos saudáveis e diminuindo os efeitos colaterais. Além disso, possibilitam terapias mais rápidas por meio do hipofracionamento, o que contribui para atender mais pacientes diariamente e diminuir as filas de espera.
Os benefícios para os pacientes vão além da eficácia clínica. Tratamentos mais eficientes significam menos sessões, menor incidência de efeitos adversos e menos impacto na rotina pessoal e profissional, especialmente para aqueles que precisam se deslocar por longas distâncias em busca de atendimento especializado — uma realidade comum no país.
A evolução tecnológica também tem transformado todas as etapas do cuidado oncológico. Ferramentas como a mamografia 3D aumentam a capacidade de detecção precoce do câncer de mama, enquanto abordagens como o teranóstico — que integra diagnóstico molecular e terapias direcionadas — permitem tratamentos mais personalizados e assertivos, além de otimizar recursos.
Por fim, o especialista ressalta que a incorporação estruturada de tecnologias modernas no sistema de saúde pode ampliar o acesso ao tratamento e reduzir desigualdades regionais. Ele destaca ainda que o Brasil conta com profissionais altamente qualificados, capazes de operar essas inovações e convertê-las em benefícios reais para os pacientes.



