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O fim do “Gerente Roteador”: Por que a IA Agêntica vai encolher a média gerência em 45%

Por Jeremias Goedert

Um dado recente da pesquisa “The Emerging Agentic Enterprise” (MIT Sloan/BCG) deveria tirar o sono de qualquer conselho de administração: 45% das empresas esperam reduzir suas camadas de média gerência nos próximos anos.

Muitos lerão isso como um simples corte de custos via automação. Estão errados. Esse dado é menos sobre tecnologia e muito mais sobre arquitetura organizacional.

Por décadas, o papel do middle management foi, em grande parte, atuar como um “roteador humano”. Eles recebem metas do topo, traduzem em tarefas para a base, controlam prazos e reportam o progresso de volta. Em um mundo de IA Agêntica — onde agentes não apenas sugerem textos, mas tomam decisões, executam fluxos e colaboram entre si — esse papel de “correio elegante da produtividade” perde o sentido.

A IA agêntica não é uma ferramenta; é um colega de trabalho. E quando você tem “colegas” que não dormem, processam dados em escala e executam processos de ponta a ponta, a estrutura em pirâmide começa a colapsar.

O que emerge não é o fim da gestão, mas o fim do controle por tarefa.

O novo líder que essa era exige não é o especialista ultraeficiente em uma função estreita, mas o Líder-Generalista. É o profissional que consegue navegar em contextos ambíguos, conectar silos que a IA ainda não enxerga e, principalmente, extrair valor estratégico da combinação entre humanos e agentes.

Se antes o gerente gerenciava pessoas, agora ele orquestra fluxos de decisão. Ele não olha mais se a tarefa foi feita (a IA garante a execução), mas se a decisão tomada pelo agente faz sentido ético, estratégico e competitivo para o negócio.

Quem tratar a IA Agêntica apenas como um rollout de software vai cair na armadilha da “eficiência vazia”. A verdadeira transformação está em redesenhar a governança e a cultura. Como você promove alguém em uma estrutura plana? Como você mantém a cultura da empresa quando 60% das tarefas operacionais são feitas por entidades não-humanas?

O RH passa a ter um papel de “Designer de Força de Trabalho Híbrida”. Não se trata mais de contratar apenas competências técnicas, mas de treinar humanos para terem o que chamo de “Juízo de Valor em Escala”.

A mensagem para a média gerência é clara: se o seu valor está em organizar o caos das tarefas alheias, a IA agêntica é sua substituta. Se o seu valor está em conectar pontos, gerir ambiguidades e garantir a integridade da estratégia, a IA agêntica é seu maior acelerador.

A transição para a Agentic Enterprise não é um projeto de TI. É um redesenho de como o poder e a decisão fluem dentro da empresa. E a sua camada de gestão está pronta para deixar de ser roteadora para se tornar arquiteta?

Jeremias Goedert

Executivo sênior com mais de 25 anos de experiência em Tecnologia da Informação e Inovação, especializado em liderar a transformação digital em grandes organizações nacionais e multinacionais. Com sólida formação em Inteligência Artificial, Data Science, Segurança da Informação e Gestão Estratégica , acumula resultados expressivos na modernização de processos e implementação de sistemas robustos como SAP, Totvs e Dynamics AX. Atualmente atua como Head de TI na Tax.Co e sua trajetória inclui passagens estratégicas por empresas como Sport Club Internacional, Group Indigo, Grupo Valeant e Bausch + Lomb, onde se destacou pela gestão de equipes multidisciplinares, otimização de orçamentos e fortalecimento da governança e cibersegurança. Possui sólida formação acadêmica pela PUC-RS e FGV, destacando-se pela graduação em Administração com ênfase em Análise de Sistemas e MBAs focados em Gestão Estratégica de TI , Inteligência Artificial, Analytics e Data Science.

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