A empresa de programação com inteligência artificial Cursor apresentou recentemente seu novo modelo, o Composer 2, divulgado como uma solução com “inteligência de codificação de ponta”. A promessa chamou atenção no setor, mas rapidamente surgiram questionamentos sobre a real origem da tecnologia.
Um usuário da rede social X, identificado como Fynn, afirmou que o Composer 2 seria, na prática, baseado no Kimi 2.5 — um modelo open source desenvolvido pela empresa chinesa Moonshot AI, que conta com apoio de gigantes como Alibaba e HongShan (antiga Sequoia China). Como prova, ele destacou trechos de código que aparentemente identificavam o Kimi como base do sistema.
A crítica veio acompanhada de ironia: segundo ele, ao menos o identificador do modelo deveria ter sido alterado.
A revelação surpreendeu o mercado, principalmente pelo porte da Cursor. A startup norte-americana levantou cerca de 2,3 bilhões de dólares em investimentos recentemente, alcançando uma avaliação de 29,3 bilhões e superando a marca de 2 bilhões de dólares em receita anualizada. Apesar disso, não houve qualquer menção ao uso do Kimi ou à Moonshot AI no anúncio oficial do Composer 2.
Diante da repercussão, Lee Robinson, vice-presidente de educação para desenvolvedores da Cursor, confirmou que o modelo realmente teve origem em uma base open source. No entanto, ele destacou que apenas cerca de 25% do processamento do Composer 2 veio dessa base inicial, enquanto o restante foi resultado de treinamentos próprios da empresa. Segundo Robinson, isso faz com que o desempenho do modelo seja significativamente diferente em diversos testes comparativos.
Ele também reforçou que o uso do Kimi está de acordo com os termos de licenciamento. Essa versão foi corroborada pela própria conta oficial do Kimi no X, que parabenizou a Cursor e afirmou que a utilização ocorreu dentro de uma parceria comercial autorizada com a Fireworks AI.
Na publicação, a equipe do Kimi declarou orgulho em servir como base para o Composer 2 e destacou que a integração com novos treinamentos e técnicas de reforço representa exatamente o tipo de evolução esperada dentro do ecossistema open source.
Mesmo assim, a ausência de crédito inicial levantou questionamentos. Especialistas apontam que, além de possíveis questões de reputação por não desenvolver um modelo totalmente do zero, há também o contexto geopolítico. A crescente competição entre Estados Unidos e China no setor de inteligência artificial tem sido frequentemente descrita como uma “corrida armamentista tecnológica”, o que torna ainda mais sensível o uso de tecnologia chinesa por empresas americanas.
O cofundador da Cursor, Aman Sanger, reconheceu a falha na comunicação. Segundo ele, foi um erro não mencionar a base Kimi desde o início, e a empresa pretende corrigir esse tipo de omissão em futuros lançamentos.



