
A INTERPOL anunciou uma ampla operação internacional que levou à desativação de mais de 45 mil endereços IP e servidores maliciosos utilizados em campanhas de phishing, distribuição de malware e ataques de ransomware. A iniciativa faz parte de um esforço global para desarticular organizações de cibercrime, interromper novas atividades criminosas na internet e proteger vítimas de fraudes digitais.
A ação contou com a colaboração de 72 países e territórios, resultando na prisão de 94 suspeitos, enquanto 110 pessoas ainda seguem sob investigação. Durante as operações, as autoridades também apreenderam 212 dispositivos eletrônicos e servidores utilizados em práticas ilegais.
A ofensiva integra a terceira fase da Operação Synergia, realizada entre 18 de julho de 2025 e 31 de janeiro de 2026. As etapas anteriores, conduzidas em 2023 e 2024, já haviam identificado milhares de servidores usados para atividades criminosas e levaram à prisão de diversos integrantes de redes internacionais de fraude digital.
Prisões e ações em diferentes países
Em Bangladesh, uma das operações resultou na prisão de 40 suspeitos, além da apreensão de 134 dispositivos eletrônicos. De acordo com as investigações, os envolvidos participavam de vários tipos de golpes online, como fraudes relacionadas a empréstimos, falsas vagas de emprego, roubo de identidade e golpes com cartões de crédito.
Já em Togo, autoridades prenderam 10 suspeitos que operavam um esquema fraudulento a partir de uma residência. Parte do grupo era responsável por invadir contas de redes sociais, enquanto outros integrantes executavam campanhas de engenharia social, incluindo golpes românticos e casos de sextorsão.
Nesse tipo de fraude, os criminosos assumiam o controle de perfis nas redes sociais e passavam a interagir com contatos da vítima, se passando pelo verdadeiro dono da conta. A partir disso, criavam histórias falsas, relacionamentos virtuais ou situações emergenciais para convencer amigos e familiares a enviar dinheiro.
Em Macau, investigadores identificaram mais de 33 mil sites de phishing e páginas fraudulentas, muitas delas relacionadas a cassinos falsos ou imitando serviços essenciais, como bancos, órgãos públicos e plataformas de pagamento. Esses sites eram utilizados para enganar usuários e levá-los a inserir dados pessoais ou realizar depósitos.
Fraudes financeiras internacionais também são investigadas
Paralelamente às ações da INTERPOL, autoridades da Índia conduziram uma investigação de grande escala sobre um esquema internacional de fraude digital.
O Central Bureau of Investigation (CBI) realizou buscas coordenadas em 15 locais nos estados de Delhi, Rajasthan, Uttar Pradesh e Punjab. O caso envolve um esquema de investimentos fraudulentos e falsas oportunidades de trabalho online que teria prejudicado milhares de cidadãos indianos.
Segundo as autoridades, os criminosos utilizavam redes sociais, aplicativos móveis e plataformas de mensagens criptografadas para atrair vítimas com promessas de altos retornos financeiros ou ofertas de trabalho remoto.
O golpe normalmente começava com pequenos depósitos, enquanto as vítimas viam lucros fictícios em plataformas falsas. Posteriormente, eram incentivadas a investir valores cada vez maiores.
Assim que o dinheiro era transferido, os recursos eram rapidamente movimentados por meio de contas bancárias de laranjas, dificultando o rastreamento. Parte dos valores também era retirada em caixas eletrônicos no exterior, convertida em criptomoedas ou enviada para plataformas financeiras internacionais.
De acordo com as investigações, uma parcela do dinheiro obtido ilegalmente foi convertida em USDT (Tether) por meio de corretoras de ativos digitais na Índia e transferida para carteiras controladas pela organização criminosa.
As autoridades identificaram Ashok Kumar Sharma como um dos principais envolvidos no esquema, que já foi preso. Além disso, diversas contas bancárias usadas pelo grupo foram bloqueadas, e documentos e evidências digitais foram apreendidos durante as operações.
A operação reforça a importância da cooperação internacional entre forças de segurança para combater redes de fraude digital que atuam em diferentes países e utilizam tecnologias cada vez mais sofisticadas para enganar vítimas ao redor do mundo.



