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A Terceirização da Memória

Por Diego Baldi

Duvido você lembrar, de cabeça, cinco números de celular da sua família, dos seus amigos ou de colegas de trabalho. E nem vale apelar para aquele número fixo da infância que ficou tatuado na memória por insistência doméstica. A provocação aqui não é saudosista. É apenas um retrato do nosso tempo.

Houve uma época em que lembrar era quase uma obrigação funcional. Em muitos setores, casas ou empresas, existia um único número de telefone que todos sabiam. O contato era escasso, a informação era menor e, justamente por isso, a memória precisava ocupar esse espaço. Hoje, o cenário se inverteu. Cada pessoa carrega um número próprio, múltiplos canais de contato, senhas, logins, aplicativos, agendas, históricos e notificações. A informação aumentou em escala. A memória humana, não.

Talvez seja por isso que estejamos cada vez mais confortáveis em não lembrar. O celular lembra. A nuvem lembra. O histórico lembra. O GPS lembra. A IA resume, organiza, registra e devolve. Aos poucos, fomos transferindo para a tecnologia

Diego Baldi

Profissional de Tecnologia com mais de duas décadas de experiência em TI, apaixonado por churrasco, comunicação e tudo que envolve boas ideias e bons encontros. Ao longo da minha jornada, atuei em diversos projetos ligados à transformação digital, inovação e segurança da informação, sem nunca perder o olhar curioso e humano sobre as conexões que a tecnologia permite.

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