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Microsoft investe US$ 6,2 bilhões em data center no Ártico para reduzir custos e usar energia renovável

Empresa se une a Nscale e Aker para instalar servidores próximos ao Círculo Polar Ártico, aproveitando clima frio e fontes limpas de energia

Com a evolução das tecnologias digitais e da inteligência artificial, os data centers estão se tornando elementos estratégicos para grandes corporações. Agora, a Microsoft, em parceria com a britânica Nscale e a norueguesa Aker, anunciou a construção de um data center na cidade de Narvik, Noruega, a menos de 250 km do Círculo Polar Ártico, em um investimento estimado em quase US$ 6,2 bilhões.

O resfriamento representa atualmente um dos maiores custos na operação desses centros de dados. Em 2023, o Google revelou que utilizou cerca de 23 bilhões de litros de água para controlar a temperatura de seus data centers. A instalação de servidores em regiões frias, como o Ártico, visa reduzir gastos com climatização e otimizar a eficiência energética.

Além do clima, a região oferece amplo potencial de energia renovável, outro atrativo para empresas de tecnologia. Em comunicado à imprensa, Øyvind Eriksen, presidente e CEO da Aker, destacou que a iniciativa busca aproveitar a energia limpa disponível na região.

Embora a ideia do resfriamento natural seja promissora, o projeto enfrenta desafios estruturais: os servidores precisarão resistir a temperaturas extremas, e a infraestrutura terá que lidar com as condições instáveis do solo ártico, que pode derreter ou se deslocar.

Os impactos ambientais desses data centers ainda não foram totalmente avaliados, mas é necessário considerar o calor gerado pelos equipamentos e a sensibilidade climática do Ártico. A região tem registrado um aumento acelerado de temperaturas; segundo o Centro Internacional de Dados de Neve e Gelo (NSIDC), desde a década de 1980, o Ártico aquece de duas a quatro vezes mais rápido que a média global.

Julienne Stroeve, cientista sênior do NSIDC, afirmou ao G1 que “o aquecimento do Ártico contribui para o aumento global das temperaturas e para eventos climáticos extremos”. A preocupação se intensifica diante de um estudo da Copernicus que aponta que, em 2024, o planeta alcançou o limite seguro de aquecimento global de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

A instalação de data centers no Ártico, além de representar um avanço tecnológico e econômico, também pode servir como estratégia para reduzir o impacto ambiental, combinando eficiência operacional com o uso de energia renovável.

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