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A IA vai substituir os Gerentes de Banco e Assessores de Investimento?

Por Thiago Lehr Companhoni

A pergunta não é mais “se”, mas “como e em que ritmo” a inteligência artificial (IA) vai transformar o setor financeiro – incluindo funções tradicionalmente humanas como gerentes de banco e assessores de investimento. A resposta, por enquanto, é: não exatamente da forma que muitos imaginam, mas com grande impacto na forma como esses profissionais trabalham.

IA ESTÁ REMODELANDO O SETOR FINANCEIRO, MAS NÃO NECESSARIAMENTE SUBSTITUINDO PESSOAS

Relatórios de instituições globais mostram que a automação e a IA têm potencial para alterar cerca de metade dos empregos no setor bancário, com estimativas de que 50%+ das tarefas podem ser automatizadas e outras expandidas com tecnologia. 

Pesquisas de consultorias como a Accenture sugerem que a IA pode substituir ou aprimorar até três quartos das tarefas no banco, especialmente aquelas rotineiras e repetitivas – como processamento de documentos, análise preliminar de crédito ou consolidação de relatórios. 

Mas isso não significa que todas as pessoas serão demitidas. A tendência é que as funções evoluam, com algumas desaparecendo e outras surgindo ou se transformando. Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos, trouxe que “O futuro exige que o profissional de investimentos seja heavy user de inteligência artificial.” A lógica faz sentido, e a tendência é que os profissionais precisem masterizar as ferramentas disponíveis.

IA COMO FERRAMENTA DE PRODUTIVIDADE – NÃO UM SUBSTITUTO COMPLETO

Muitos executivos e gestores veem a IA como uma forma de ampliar a produtividade, não apenas cortar empregos. Um estudo recente mostrou que uma maioria crescente de gerentes acha que IA ajuda, em vez de substituir, sua equipe.

O uso de IA para preparar relatórios, simular cenários de investimento ou automatizar tarefas operacionais pode permitir que gerentes e assessores se concentrem em atividades estratégicas e relacionais – exatamente aquelas em que a tecnologia ainda tem limitações. As emoções nunca serão substituídas, bem como as micro percepções e o próprio tato e calor humano, que é tão necessário nesses tempos de alto ciclo de dopamina.

Além disso, há fortes indícios de que os clientes ainda preferem conselhos humanos quando se trata de decisões financeiras significativas: pesquisas mostram que investidores confiam mais em profissionais humanos do que em bots automatizados para decisões complexas. 

O FUTURO É HÍBRIDO: HUMANOS + IA TRABALHANDO JUNTOS

Um dos cenários mais plausíveis é o modelo híbrido. Plataformas robô-advisors e ferramentas de IA ajudam na análise de dados, controle de risco e geração de insights, enquanto humanos continuam liderando a conversa com o cliente, interpretam nuances subjetivas, lidam com psicologia do investidor e tomam decisões em contextos complexos. 

Pesquisas acadêmicas confirmam que combinações de IA com interação humana tendem a resultar em melhor aceitação e melhores resultados para os clientes, comparadas a soluções puramente automatizadas. 

Esse movimento é já visível em grandes bancos e gestoras de patrimônio, que investem em tecnologia mas afirmam que o “toque humano” permanece crítico, especialmente para clientes de alta renda que exigem planejamento financeiro personalizado. 

Em última análise, IA não é uma substituta completa. É uma parceira. Para os profissionais que entenderem isso e se adaptarem, a tecnologia será uma alavanca poderosa para escalar seu impacto e serviço.

Espero que tenham gostado da minha publicação por aqui!

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