Apps & FerramentasNews
Tendência

Xiaomi 17 e 17 Ultra chegam ao mercado global em meio à crise dos chips de memória

Alta de até 90% nos preços da memória pressiona setor de smartphones e pode impactar vendas em 2026

A Xiaomi lançou globalmente, no último sábado, seus novos smartphones topo de linha, o Xiaomi 17 e o Xiaomi 17 Ultra. Os dispositivos chegam ao mercado em um momento delicado para a indústria, marcado por um aumento sem precedentes nos preços dos chips de memória.

Os novos modelos premium da fabricante chinesa foram desenvolvidos para competir diretamente com rivais como Samsung e Apple no segmento de alto padrão. Apesar da escalada nos custos de componentes, a Xiaomi manteve os mesmos preços praticados na geração anterior: o Xiaomi 17 parte de 999 euros (US$ 1.179), enquanto o Xiaomi 17 Ultra começa em 1.499 euros.

Segundo dados da Counterpoint Research, os preços da memória subiram entre 80% e 90% no primeiro trimestre deste ano. A alta é atribuída principalmente à escassez de chips, com grande parte do fornecimento sendo direcionado a data centers voltados para aplicações de inteligência artificial.

A memória é um dos componentes mais caros em um smartphone, o que aumenta a pressão sobre as fabricantes. De acordo com projeções divulgadas pela Gartner em fevereiro, os preços dos smartphones podem subir até 13% em 2026. Já a IDC estima que o mercado global poderá encolher 12,9% no mesmo ano em razão da crise dos chips.

Analistas avaliam que marcas com maior presença no segmento premium tendem a estar mais protegidas, pois conseguem absorver melhor os custos adicionais. No caso da Xiaomi, a maior parte do volume de vendas ainda vem de aparelhos de gama média — justamente a categoria que pode sofrer maior impacto caso haja reajuste de preços.

Francisco Jeronimo, vice-presidente de dados e análises da IDC, afirmou à CNBC que a Xiaomi enfrenta um desafio adicional por não ter participação tão forte no segmento premium quanto Apple e Samsung, o que limita sua capacidade de compensar margens menores em outras linhas.

Em novembro, a própria gestão da empresa já havia alertado que a indústria provavelmente precisará reajustar os preços dos smartphones em 2026. Ben Wood, analista-chefe da CCS Insight, reforçou que a Xiaomi deve ser forçada a elevar os valores de seus modelos de entrada e intermediários.

Embora a receita da companhia ainda esteja concentrada em eletrônicos de consumo, a Xiaomi vem expandindo rapidamente sua atuação no mercado de veículos elétricos na China, segmento que já responde por cerca de um quarto das vendas totais e se tornou uma importante fonte de receita diante da crise de memória.

No último balanço divulgado, referente ao trimestre encerrado em setembro, a empresa registrou queda de 3% na receita de smartphones na comparação anual. Em contrapartida, o negócio de carros elétricos apresentou crescimento expressivo, com alta de quase 200% nas vendas.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo