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Google vs IA

Por Diego Baldi

Esses dias minha esposa mandou uma foto do nosso pátio. Piscina ao fundo, grama ainda “em evolução”, alguns cantos que claramente pediam um toque mais ousado de paisagismo. A pergunta era simples: “O que dá pra fazer aqui?”

Subimos a imagem em uma ferramenta de IA e pedimos sugestões integradas de paisagismo. O que voltou não foi uma ideia. Foi um projeto conceitual digno de capa de revista. Iluminação indireta, integração com deck, plantas tropicais harmonizadas com o azul da piscina, circulação pensada, valorização de espaço e até sugestão de mobiliário externo. Nem nos meus melhores sonhos eu tinha visualizado algo parecido. Foi fascinante.

Guardei a imagem. Um dia eu executo. Se aparecer um bom investidor 😂.

Aquela experiência doméstica aparentemente trivial revela algo muito maior. Durante duas décadas, a internet foi organizada por busca. Digitávamos uma pergunta, recebíamos links e decidíamos para onde ir. O modelo era previsível: indexação, ranqueamento, clique, monetização. O Google dominou essa arquitetura com precisão técnica e escala global.

A Inteligência Artificial generativa altera esse fluxo. Ela não entrega caminhos — entrega síntese. Não oferece múltiplas opções — oferece uma resposta estruturada, contextualizada e, muitas vezes, visualmente materializada. O modelo deixa de ser search & click e passa a ser ask & build. E isso muda a lógica econômica da internet.

O impacto não é apenas tecnológico. É financeiro. O mercado global de busca movimenta centenas de bilhões de dólares por ano em publicidade. Se a IA reduzir cliques, encurtar jornadas e diminuir o tráfego intermediado por links patrocinados, o modelo de monetização sofre compressão. A disputa deixa de ser por tráfego e passa a ser por interface de decisão.

Para as empresas, o desafio estratégico muda. Não basta mais ranquear bem. Será necessário estruturar dados, autoridade e presença para que os modelos de IA utilizem sua marca como referência nas respostas geradas. A competição sai da página de resultados e entra no núcleo do algoritmo.

O risco projetado é claro: desintermediação. Se a resposta vem pronta, a exposição da marca diminui. Se a jornada encurta, a previsibilidade do funil digital também pode encolher. Empresas que dependem exclusivamente de SEO tradicional podem enfrentar uma reconfiguração relevante de receita.

Mas há também oportunidade. Quem compreender essa transição pode ganhar eficiência, reduzir fricções e ocupar posição estratégica dentro da nova arquitetura informacional.

No Café Com Bytes, a tese é objetiva:
a disputa não é apenas entre Google e IA.
É sobre quem controla a camada onde a decisão acontece.

Quem controla a resposta controla a atenção.
Quem controla a atenção influencia o mercado.

E você — sua empresa ainda compete por clique, ou já entendeu que o jogo mudou para a síntese?

Diego Baldi

Profissional de Tecnologia com mais de duas décadas de experiência em TI, apaixonado por churrasco, comunicação e tudo que envolve boas ideias e bons encontros. Ao longo da minha jornada, atuei em diversos projetos ligados à transformação digital, inovação e segurança da informação, sem nunca perder o olhar curioso e humano sobre as conexões que a tecnologia permite.

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