A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (26) a Operação Cliente Fantasma para investigar o banco BMP por suspeita de facilitar um esquema de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado mais de R$ 25 bilhões em todo o país. A ação ocorre em meio a apurações que envolvem possíveis falhas no controle e na comunicação de operações financeiras consideradas atípicas ou suspeitas.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na capital paulista e em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. As ordens judiciais atingem a sede da instituição e também endereços ligados ao presidente do banco, Carlos Eduardo Benitez, além do responsável pelo setor de compliance, Paulo Henrique Witter Soares.
De acordo com os investigadores, a instituição financeira, embora autorizada a operar pelo Banco Central do Brasil, teria deixado de informar corretamente dados de clientes e operações ao órgão regulador. Essa suposta omissão teria dificultado o rastreamento de valores e a identificação de movimentações suspeitas por parte das autoridades. Também há indícios de falhas na comunicação de operações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), responsável por monitorar e produzir relatórios de inteligência financeira no país.
A investigação aponta que essas práticas teriam permitido a movimentação de recursos ligados a organizações criminosas, por meio de estruturas que dificultavam a identificação dos reais beneficiários das transações. Caso as irregularidades sejam confirmadas, os responsáveis poderão responder por crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, omissão de informações a órgãos reguladores e lavagem de dinheiro.
O nome da BMP já havia ganhado destaque anteriormente após a instituição relatar ter sido alvo de um grande ataque hacker em 2025, envolvendo transferências via Pix que somaram centenas de milhões de reais. Embora aquele episódio tenha sido tratado como crime cibernético, ele voltou a ser citado no contexto das apurações atuais, que analisam a robustez dos controles internos e dos mecanismos de prevenção a ilícitos financeiros.
Em nota, a BMP afirmou que colabora com as autoridades e que permanece à disposição para prestar esclarecimentos, destacando que suas operações seguem funcionando normalmente. As investigações continuam sob sigilo, e a Polícia Federal deve aprofundar a análise do material apreendido nos próximos dias.



