
A startup britânica Wayve levantou US$ 1,2 bilhão em sua mais recente rodada de investimentos, atraindo um grupo diversificado de apoiadores que inclui três grandes montadoras, fundos institucionais e investidores de risco. O valor total pode alcançar US$ 1,5 bilhão, considerando um aporte adicional de até US$ 300 milhões da Uber, condicionado ao lançamento de robotáxis — começando por Londres.
Com a nova rodada, a empresa passa a ser avaliada em US$ 8,6 bilhões, consolidando-se como uma das principais apostas globais no setor de direção automatizada. O movimento reforça o interesse crescente de empresas de tecnologia, fabricantes tradicionais de veículos e grandes fundos em capitalizar o avanço da mobilidade autônoma.
Estratégia “contrária” na tecnologia e no modelo de negócios
Fundada em 2017, a Wayve defende uma abordagem considerada “fora do padrão” tanto na construção da tecnologia quanto na estratégia comercial. O fundador e CEO, Alex Kendall, afirma que a empresa foi pioneira no uso de deep learning de ponta a ponta aplicado à condução autônoma.
Diferentemente de concorrentes que dependem de mapas em alta definição e arquiteturas específicas de sensores, a Wayve desenvolveu uma camada de software baseada em redes neurais que aprende a dirigir a partir de grandes volumes de dados. O sistema não exige mapas detalhados previamente mapeados, utilizando apenas informações captadas pelos sensores já instalados no veículo.
Essa arquitetura sustenta dois principais produtos:
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Um sistema avançado de assistência ao motorista com supervisão ativa (“olhos na via”);
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Um sistema totalmente autônomo (“olhos afastados”), voltado tanto para robotáxis quanto para veículos de passeio em ambientes específicos.
Tecnologia compatível com diferentes montadoras
Um dos diferenciais da Wayve é o caráter agnóstico de sua solução. O software pode operar com variados conjuntos de sensores e rodar nos chips que os fabricantes já utilizam, o que amplia o potencial de adoção em larga escala.
Ainda assim, a empresa mantém relação próxima com a Nvidia desde 2018. A plataforma Gen 3 da startup utiliza o kit Nvidia Drive AGX Thor, voltado para veículos autônomos. A nova geração promete habilitar recursos avançados de assistência ao motorista e funcionalidades de Nível 4 — estágio considerado altamente automatizado — tanto em rodovias quanto em vias urbanas.
A proposta tecnológica da Wayve é frequentemente comparada à da Tesla, embora existam diferenças relevantes na estratégia comercial. Ao contrário da Waymo, que opera diretamente serviços de robotáxi, e da própria Tesla, que desenvolve veículos com software próprio, a Wayve opta por licenciar sua “IA incorporada” para montadoras e empresas de mobilidade.
Segundo Kendall, esse formato amplia o mercado endereçável e só é possível porque a IA da empresa consegue se adaptar a diferentes hardwares e contextos operacionais.
Parcerias com Nissan e Uber
Entre os clientes confirmados estão a Nissan e a Uber. A Nissan anunciou que pretende integrar o software da Wayve ao seu sistema avançado de assistência ao motorista a partir de 2027.
Já a Uber planeja iniciar ainda este ano testes comerciais com veículos equipados com a tecnologia da startup. A parceria, no entanto, deve ir além de projetos-piloto. O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, indicou planos de expansão conjunta para mais de dez mercados globais, envolvendo múltiplas montadoras.
Investidores globais e montadoras participam da rodada
A rodada foi liderada por fundos como Eclipse, Balderton e SoftBank Vision Fund 2. Também participaram investidores institucionais como Ontario Teachers’ Pension Plan, Baillie Gifford, British Business Bank, Icehouse Ventures e Schroders Capital.
Além disso, montadoras globais como Mercedes-Benz, Nissan e Stellantis — que planejam utilizar a tecnologia da Wayve — reforçaram o aporte.
A Nvidia, que já havia investido anteriormente na empresa, também participou da nova rodada, embora o valor exato não tenha sido divulgado.
Com capital robusto, alianças estratégicas e uma abordagem baseada em IA generalista, a Wayve busca se posicionar como fornecedora global de software para direção autônoma, apostando na escalabilidade e na integração com diferentes fabricantes para acelerar a chegada dos veículos autônomos ao mercado.



