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Do Ponto de Venda ao Ecossistema Inteligente: O Futuro das Lojas Phygitais e da Experiência Integrada

Por Marcele Guarenti

Durante décadas a loja física funcionou essencialmente como um ponto de transação: o produto era exposto, o cliente escolhia, realizava o pagamento e a jornada se encerrava ali. Hoje, no entanto, seu papel é muito mais estratégico. A loja tornou-se um hub de experiência, um ponto de conexão omnichannel, um centro de relacionamento e construção de comunidade, um canal de geração e análise de dados e, ainda, uma poderosa plataforma de mídia e branding. Mais do que um espaço de venda, ela passou a ser um ativo estratégico de marca, fundamental para fortalecer percepção, posicionamento e conexão com o consumidor.

O conceito de lojas phygitais nasce da fusão entre physical e digital. Trata-se de integrar tecnologia ao ambiente físico de forma tão fluida que o cliente praticamente não percebe a transição entre os dois mundos. Não se trata simplesmente de inserir telas ou dispositivos na loja, mas de redesenhar toda a jornada de consumo. Em uma loja phygital, o cliente pode descobrir um produto online e experimentá-lo offline, comprar na loja e receber em casa, adquirir pelo e-commerce e retirar no ponto físico, receber recomendações personalizadas no momento da visita e interagir com conteúdos digitais enquanto experimenta o produto. O objetivo não é apenas digitalizar o espaço físico, mas criar uma experiência integrada e contínua.

Como Estão Sendo as Lojas Físicas em 2026

Em 2026, as lojas físicas estão cada vez mais orientadas à experiência imersiva e sensorial. O consumidor contemporâneo (especialmente Geração Z e Millennials) valoriza vivências acima de simples aquisições, o que tem impulsionado uma transformação significativa no varejo. As lojas estão se tornando espaços instagramáveis, ambientes interativos, locais para eventos, workshops e ativações culturais, além de pontos de convivência e construção de comunidade. Shopping centers já incorporam gastronomia autoral, esportes indoor, arte e entretenimento como estratégia para aumentar o tempo de permanência. A loja passa a competir não apenas com outros varejistas, mas com o tempo livre do cliente. Paralelamente, a tecnologia surge como extensão da experiência: provadores com realidade aumentada, espelhos inteligentes com sugestões de looks, quiosques de “endless aisle” para acesso ao estoque completo, checkouts móveis sem fila, integração de dados em tempo real entre loja, e-commerce e displays digitais com conteúdo dinâmico tornam-se cada vez mais comuns. No entanto, o ponto central permanece claro: a tecnologia não substitui o atendimento humano, ela o potencializa. Parte do mercado errou ao acreditar que a automatização total seria suficiente. Movimentos recentes de grandes players que reduziram operações físicas altamente automatizadas reforçam que tecnologia sem estratégia de experiência não se sustenta sozinha.

Omnicanalidade Real: Unified Commerce

A omnicanalidade real, ou unified commerce, parte de um princípio simples: o consumidor não pensa em canais, ele pensa em conveniência. Para ele, não existe divisão entre online e offline, existe apenas a expectativa de uma experiência fluida. A loja do futuro, portanto, funciona como parte de um ecossistema totalmente integrado, com estoque unificado, CRM conectado, histórico de compras acessível no ponto físico, personalização baseada no comportamento digital e políticas de troca e devolução igualmente integradas. Essa estrutura reduz fricções na jornada, aumenta a retenção e eleva o lifetime value do cliente.
Nos próximos meses, a tendência é uma consolidação ainda maior de plataformas de unified commerce, especialmente no varejo de moda e lifestyle, onde experiência, agilidade e personalização são diferenciais competitivos decisivos.

A Loja Como Canal de Mídia

A loja física está se consolidando também como um poderoso canal de mídia. Uma das tendências mais relevantes é o crescimento do Retail Media dentro do próprio ponto de venda. Displays digitais, telas posicionadas em corredores estratégicos e conteúdos dinâmicos estão transformando a loja em um canal de comunicação proprietário da marca. Esse movimento cria novas linhas de receita, amplia as oportunidades de personalização e oferece maior controle sobre a narrativa e o posicionamento da marca. Assim, a loja deixa de ser apenas um espaço de exposição de produtos e passa a comunicar em tempo real, influenciando decisões de compra de forma estratégica e contextualizada.

Dados: O Novo Ouro do Varejo Físico

Os dados tornaram-se o novo ouro do varejo físico. Se antes a inteligência de mercado estava concentrada quase exclusivamente no ambiente digital, hoje o espaço físico também passou a gerar informações estratégicas de alto valor. Com a integração tecnológica, as lojas conseguem mapear o fluxo de clientes, analisar o tempo de permanência, identificar os produtos mais experimentados, cruzar dados online e offline e antecipar demandas com maior precisão. Nos próximos meses, a tendência é a ampliação do uso de Inteligência Artificial aplicada à previsão de estoque, à personalização no ponto de venda e à recomendação automatizada.

Pop-ups e Espaços Flexíveis

Outra tendência evidente é a expansão de pop-ups e espaços flexíveis no varejo. Pop-up stores estratégicas, lojas temporárias para teste de mercado e espaços híbridos que combinam retail, café e eventos vêm ganhando força como formatos inteligentes de expansão. Esses modelos permitem testar regiões, gerar buzz, fortalecer comunidades e validar conceitos sem exigir um CAPEX elevado. Nesse cenário, flexibilidade torna-se palavra-chave. Nos próximos 12 a 24 meses, a loja física se consolidará como uma verdadeira plataforma de experiência de marca, um centro logístico estratégico, um canal de mídia proprietária, um hub de dados e personalização e, principalmente, um espaço de construção de comunidade. Ela deixará definitivamente de ser apenas um local de compra para se tornar um ambiente de construção de percepção e experiência. 

Marcele Guarenti

Colunista sobre Tecnologia e Inovação na Moda e Varejo no Café com Bytes. Founder da MG Management — uma Agência Boutique Phygital de Moda, Branding e Tecnologia e, também, da Marcele Guarenti Brand — uma curadoria de joias e semijoias de luxo que transforma acessórios em linguagem de estilo, assinatura visual e expressão da marca pessoal. Designer de Moda e Consultora de Imagem, Estilo e Marca Pessoal. E, também, Especialista em Fashion Tech, Branding Estratégico e Inteligência Artificial, atuo como Palestrante e Mentora, traduzindo tendências complexas em estratégias práticas para Marcas, Líderes e Creators da nova era digital. Uma trajetória que une visão criativa e pensamento estratégico, conectando Moda, Branding e Inovação com propósito. Impulsionando o diálogo entre estilo, tecnologia e negócios — inspirando o futuro do Varejo e das Marcas que desejam liderar com inteligência e autenticidade.

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