
A Associação Brasileira de Cloud (AbraCloud) afirma que o Brasil vive um momento decisivo para sua competitividade global. Segundo a entidade, a infraestrutura digital deixou de ser apenas suporte operacional e passou a ser considerada um ativo estratégico nacional. A tramitação em regime de urgência do Projeto de Lei nº 278/2026 é vista como imperativa, já que a Medida Provisória nº 1.318/2025 está prestes a perder validade.
De acordo com o documento apresentado pela associação, o país não possui hoje uma base instalada relevante de GPUs, o que compromete o início de novos ciclos de investimento. Para a AbraCloud, cada semana de indefinição regulatória representa perda concreta de competitividade.
Infraestrutura de IA e HPC como prioridade estratégica
No posicionamento oficial, a entidade destaca que a infraestrutura de inteligência artificial (IA) e de computação de alto desempenho (HPC) deve ser reconhecida como distinta da tecnologia da informação convencional. GPUs de última geração, servidores de alta performance e redes de baixa latência compõem uma pilha tecnológica estratégica, comparável em importância aos semicondutores avançados.
Sem capacidade instalada no Brasil, projetos científicos, industriais e tecnológicos acabam dependendo de infraestrutura externa, o que impacta diretamente a autonomia e a competitividade nacional. O presidente da AbraCloud, Roberto Bertó, reforçou: “A questão não é se o Brasil terá data centers; é se terá soberania computacional plena.”
Propostas de ajustes técnicos
A carta enviada pela associação sugere cinco ajustes essenciais para fortalecer o regime, incluindo:
- Definição de prazo máximo legal para decisões administrativas sobre similar nacional.
- Criação de lista de bens geral e impessoal aplicável a todos os habilitados.
- Garantia de proteção à confiança legítima de projetos já aprovados.
- Pluralidade estrutural de operadores.
- Procedimentos claros e proporcionais na comprovação de contrapartidas.
Sustentabilidade como diferencial competitivo
A AbraCloud também ressalta que a matriz energética renovável do Brasil é um fator estratégico para atrair investimentos em infraestrutura digital de baixo carbono. A combinação entre expansão tecnológica e sustentabilidade posiciona o país como destino promissor para data centers avançados.
Na conclusão, a associação reforça que a aprovação do PL 278/2026 representa uma oportunidade histórica de consolidar a capacidade computacional nacional e reafirma seu compromisso em contribuir tecnicamente com o Congresso e o Poder Executivo.



