
Em 2025, os Estados Unidos investiram cifras bilionárias em inteligência artificial (IA), mas o resultado não se refletiu no crescimento econômico. De acordo com cálculos do Goldman Sachs, o efeito da tecnologia sobre o PIB foi praticamente inexistente, contrariando a expectativa de que a IA seria o motor da expansão.
Por que o impacto foi tão baixo?
Grande parte dos recursos aplicados pelas empresas é destinada à compra de equipamentos fabricados fora do país, principalmente chips de última geração. Como o cálculo do PIB considera apenas a produção doméstica, o volume de importações acaba anulando os ganhos.
Economistas de instituições como Morgan Stanley e JPMorgan Chase destacam que a narrativa de que a IA generativa sustentaria a economia americana foi supervalorizada. No início, parecia uma aposta óbvia, mas os números mostram que a dependência de tecnologia estrangeira limita os efeitos internos. Além disso, os indicadores oficiais ainda não conseguem medir com precisão os impactos dessa inovação recente.
O cálculo do PIB e a dependência externa
O Produto Interno Bruto contabiliza apenas o valor agregado dentro do território nacional. Se uma empresa americana compra um componente por US$ 500 na China e o revende por US$ 1.000, apenas os US$ 500 de lucro entram na conta. Como a maioria dos chips e peças de IA vem da Ásia, o retorno efetivo para os EUA é reduzido.
Estudos apontam que cerca de 75% do custo de construção de um data center de IA é destinado a equipamentos e componentes eletrônicos. Mesmo líderes do setor, como a Nvidia, fabricam fora dos Estados Unidos, o que significa que o investimento fortalece outras economias, enquanto o impacto direto nos indicadores americanos permanece limitado.
Efeitos indiretos na economia
Apesar da baixa influência nos números oficiais, o fluxo de capital movimenta setores internos. Estima-se que cinco grandes empresas de tecnologia invistam cerca de US$ 700 bilhões (R$ 3,6 trilhões) em infraestrutura até 2026 — valor comparável ao PIB da Suécia. Esse montante gera empregos na construção civil e aumenta a demanda por materiais como cimento, turbinas e energia.
Conclusão dos especialistas
Embora existam diferentes interpretações, a maioria dos analistas concorda que a ideia de que a IA estaria “carregando” a economia americana foi ilusória. A inteligência artificial é estratégica e relevante, mas não é suficiente para sustentar o crescimento dos Estados Unidos por conta própria.



