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Sam Altman nega alto consumo de água do ChatGPT e comenta impacto ambiental da IA

CEO da OpenAI rebate críticas sobre uso de água em data centers, defende eficiência energética da inteligência artificial e aponta energia limpa como solução

O CEO da OpenAI, Sam Altman, respondeu às críticas relacionadas ao impacto ambiental da inteligência artificial durante sua participação no AI Summit, realizado na Índia na última semana. Em entrevista ao The Indian Express, ele classificou como “falsas” as afirmações de que o ChatGPT consome grandes volumes de água a cada pergunta feita pelos usuários.

Altman contestou diretamente a ideia de que cada interação com o chatbot exigiria galões de água para funcionar. Segundo ele, esse tipo de comparação é “completamente falsa” e não condiz com a realidade operacional da tecnologia.

Uso de água em data centers

O debate gira em torno do funcionamento dos data centers, que utilizam água principalmente para resfriamento de servidores, evitando superaquecimento. Embora modelos mais antigos dependam fortemente desse recurso, parte das infraestruturas mais modernas já adota sistemas que reduzem ou até eliminam o uso direto de água.

Ainda assim, projeções indicam crescimento relevante no consumo global nas próximas décadas. Segundo a CNBC, um estudo conduzido pela empresa de tecnologia hídrica Xylem em parceria com a Global Water Intelligence estima que o volume de água destinado ao resfriamento pode mais que triplicar nos próximos 25 anos, impulsionado pela expansão da computação de alto desempenho.

Apesar de rebater as críticas sobre o consumo por consulta individual, Altman reconheceu que o aumento total da demanda energética da inteligência artificial é uma preocupação válida. Para ele, o desafio não está em cada pergunta feita ao sistema, mas na escala global de adoção da IA.

Como caminho para mitigar impactos ambientais, o executivo defendeu a aceleração da transição para fontes de energia limpa, como nuclear, solar e eólica.

Comparação entre IA e cérebro humano

Durante a entrevista, Altman também respondeu a comparações feitas por Bill Gates, fundador da Microsoft, que já citou o cérebro humano como exemplo de eficiência energética capaz de inspirar futuros sistemas de inteligência artificial.

O CEO da OpenAI argumentou que esse paralelo desconsidera o custo energético envolvido na formação de um ser humano, que inclui anos de desenvolvimento e consumo contínuo de recursos. Na visão dele, uma análise mais adequada seria comparar a energia necessária para que um modelo já treinado responda a uma pergunta com a energia usada por um adulto ao realizar a mesma tarefa. Nesse cenário, segundo Altman, a IA já poderia demonstrar competitividade em eficiência.

A fala provocou reações. Sridhar Vembu, cofundador e cientista-chefe da Zoho Corporation, criticou a equiparação entre máquinas e seres humanos, afirmando que não apoia um cenário em que tecnologias sejam colocadas no mesmo nível que pessoas.

Expansão da IA e pressão sobre energia global

A discussão acontece em meio a investimentos bilionários na construção de novos data centers para sustentar o avanço da inteligência artificial. Um relatório do Fundo Monetário Internacional apontou que, em 2023, o consumo global de eletricidade por data centers já se aproximava do total utilizado por países como Alemanha e França, pouco tempo após o lançamento do ChatGPT.

Diante desse cenário, governos têm agilizado licenças para novos projetos de geração de energia, enquanto ambientalistas alertam para possíveis conflitos com metas de neutralidade de carbono. Em diversas regiões, comunidades locais também demonstram preocupação com a instalação de grandes complexos de dados, temendo sobrecarga nas redes elétricas e aumento nas tarifas de energia.

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