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EUA lançam Tech Corps para expandir influência em IA e conter avanço da China

Iniciativa da Casa Branca dentro do Peace Corps busca promover exportação de inteligência artificial americana e fortalecer soberania tecnológica de países parceiros

À medida que a rivalidade tecnológica com a China se intensifica, Washington decidiu apostar em um dos principais instrumentos de soft power dos Estados Unidos para ampliar sua presença global em inteligência artificial: o Peace Corps.

A Casa Branca anunciou a criação do “Tech Corps”, uma nova iniciativa dentro do Peace Corps voltada à promoção de tecnologias americanas de IA no exterior. O objetivo é apoiar países parceiros na adoção de soluções avançadas desenvolvidas nos EUA, especialmente na camada de aplicação.

Como funcionará o Tech Corps

Tradicionalmente, o Peace Corps envia voluntários para projetos de desenvolvimento em áreas como educação, saúde, agricultura e crescimento econômico. O Tech Corps seguirá modelo semelhante, mas com foco técnico: irá recrutar, treinar e destacar engenheiros e profissionais formados em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

Esses especialistas fornecerão suporte de “última milha” para implementação de sistemas de inteligência artificial americanos em países participantes. As inscrições já estão abertas e serão recebidas de forma contínua, segundo comunicado oficial.

De acordo com o Peace Corps, as soluções de IA serão direcionadas a “problemas reais de base” em setores estratégicos como agricultura, educação, saúde e desenvolvimento econômico.

Exportação de IA e estratégia contra a China

Os voluntários atuarão em países que aderirem ao Programa Americano de Exportação de IA, anunciado em julho por meio de uma ordem executiva do governo Donald Trump. A medida busca preservar a liderança dos EUA em tecnologias avançadas e conter a expansão da influência chinesa, especialmente em mercados emergentes.

Empresas chinesas vêm ampliando sua presença nesses países ao oferecer modelos open-source ou open-weight de baixo custo, altamente customizáveis e capazes de operar em infraestrutura local, como Qwen3 e DeepSeek.

Índia e a agenda de soberania de IA

Embora a lista completa de países participantes do programa ainda não tenha sido divulgada, a Índia deve integrar a iniciativa. O anúncio foi feito antes da primeira Cúpula de Impacto da IA da Índia 2026, realizada em Nova Délhi.

Durante o evento, Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, apresentou oficialmente o Tech Corps. A Índia também aderiu à iniciativa Pax Silica, liderada pelos EUA, ao lado de Japão, Coreia do Sul, Singapura, Holanda, Israel, Reino Unido, Austrália, Catar e Emirados Árabes Unidos. O esforço visa fortalecer a cadeia global de suprimentos de tecnologias baseadas em silício.

No encontro, Kratsios afirmou que ampliar o acesso às tecnologias americanas é essencial para reduzir a diferença na adoção de IA entre economias desenvolvidas e emergentes. Segundo ele, “soberania real de IA” significa ter controle e capacidade de uso de tecnologia de ponta dentro do próprio arcabouço legal e estratégico.

Investimentos e financiamento internacional

A cúpula também foi marcada por anúncios de novos investimentos de empresas americanas na infraestrutura de IA indiana, ampliando aportes bilionários divulgados no ano anterior.

Richard E. Swarttz, diretor interino do Peace Corps, afirmou que os Estados Unidos, como líderes globais em IA, pretendem estar “na vanguarda” da disseminação desses benefícios por meio do Tech Corps.

Os voluntários servirão no exterior por períodos entre 12 e 27 meses ou poderão atuar em estágios virtuais. Os primeiros destacamentos presenciais estão previstos para o outono de 2026. Assim como no modelo tradicional do Peace Corps, os participantes receberão moradia, assistência médica, auxílio de subsistência e benefícios ao final do serviço.

Além do Tech Corps, a Casa Branca anunciou outras medidas durante a cúpula, incluindo uma Iniciativa Nacional de Campeões para integrar empresas estrangeiras às pilhas de exportação de IA dos EUA e novos mecanismos de financiamento via Banco Mundial e a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA, com o objetivo de ajudar países parceiros a superar barreiras financeiras na adoção de tecnologias americanas.

Com isso, os EUA reforçam sua estratégia de usar diplomacia tecnológica e soft power para moldar o futuro da inteligência artificial global.

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