A Associação Nacional de Pais e Professores (PTA Nacional) anunciou que não pretende renovar seu acordo de financiamento com a Meta para 2026. A informação foi confirmada em carta enviada aos membros pela presidente da organização, Yvonne Johnson, segundo reportagem da CNBC.
No comunicado, Johnson afirmou que a entidade não buscará a renovação do apoio financeiro destinado ao programa PTA Connected, iniciativa voltada à orientação de pais, alunos e educadores sobre ferramentas e recursos digitais.
De acordo com a presidente, o aumento do escrutínio público e os processos judiciais envolvendo grandes empresas de tecnologia — incluindo a Meta — criaram desafios complexos e demorados para a organização. O valor do financiamento recebido ao longo da parceria não foi divulgado.
Meta enfrenta julgamentos na Califórnia e no Novo México
A decisão da PTA ocorre em meio a disputas judiciais relevantes contra a dona do Instagram. A empresa responde a ações na Califórnia e no Novo México sob acusações de enganar o público quanto à segurança de suas plataformas.
O CEO da companhia, Mark Zuckerberg, prestou depoimento no Tribunal Superior de Los Angeles em um processo movido por uma autora identificada como KGM. Ela alega ter desenvolvido dependência de redes sociais como Instagram e YouTube devido a elementos de design das plataformas, o que teria provocado sofrimento psicológico significativo.
Paralelamente, no Novo México, o procurador-geral do estado acusa a Meta de não ter adotado medidas suficientes para impedir a atuação de predadores online em seus aplicativos. A empresa nega as acusações nos dois casos.
A relação financeira entre a PTA Nacional e a Meta teve início em 2017 e, segundo Johnson, o acordo vigente foi encerrado em 31 de dezembro de 2025.
Pressão de grupos de defesa da segurança infantil
A ruptura também foi apoiada por entidades de defesa da segurança digital. Sharon Winkler, cofundadora da coalizão ParentsSOS, declarou que a decisão da PTA foi acertada diante do depoimento de Zuckerberg. Segundo ela, a empresa teria priorizado crescimento e participação de mercado em detrimento do bem-estar infantil.
A ParentsSOS informou ainda que pediu à PTA que reavalie parcerias com outras companhias de tecnologia, como Discord e TikTok, citando preocupações semelhantes relacionadas à segurança de crianças e adolescentes.
Diversas empresas do setor enfrentam ações judiciais nos Estados Unidos por alegações de que características de design de seus serviços podem causar impactos negativos à saúde mental de usuários jovens.
Relatório aponta tentativa de influenciar debate público
A separação acontece meses após o grupo de monitoramento Tech Transparency Project publicar um relatório analisando os vínculos entre a Meta e a PTA Nacional. O documento sugeriu que a parceria faria parte de uma estratégia mais ampla da empresa para influenciar o debate público sobre segurança infantil em redes sociais.
À época, a PTA afirmou que aceitava o patrocínio da Meta para manter diálogo direto com a empresa e fortalecer a voz de pais e estudantes nas discussões sobre segurança digital. A organização destacou que a colaboração permitia informar famílias sobre recursos como controles parentais, ferramentas com restrição etária e guias educativos disponíveis nas plataformas.
Com o fim da parceria, a entidade sinaliza um reposicionamento institucional em meio ao aumento da pressão regulatória e judicial sobre as gigantes da tecnologia.



