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Artemis II enfrenta nova falha técnica e pode ter lançamento adiado pela NASA

Interrupção no fluxo de hélio no foguete SLS ameaça cronograma da missão lunar tripulada prevista para março

A NASA informou neste sábado (21) que detectou uma falha no fornecimento de hélio no estágio superior do foguete da missão Artemis II. Diante do problema, a agência iniciou os procedimentos para avaliar um possível retorno do veículo ao edifício de montagem no Centro Espacial Kennedy.

De acordo com a agência espacial, o hélio é um elemento essencial para o lançamento, e a anomalia pode comprometer a janela prevista para março.

A irregularidade foi identificada durante a madrugada no estágio criogênico provisório de propulsão (ICPS), responsável por manter o impulso da cápsula Orion após a separação do estágio principal do foguete Space Launch System (SLS).

Equipes técnicas analisam os dados coletados para decidir se o reparo será feito ainda na plataforma de lançamento ou no Vehicle Assembly Building (VAB). Como medida preventiva diante da previsão de ventos intensos, a NASA começou a remover estruturas de acesso instaladas na base, preservando alternativas para manutenção.

Novo contratempo após adiamento recente

O novo episódio ocorre poucas semanas após o cronograma já ter sido alterado para março, em razão de um vazamento de hidrogênio líquido identificado durante um teste de abastecimento que simulava as etapas completas do lançamento.

Na ocasião, também foram registradas falhas intermitentes no sistema de áudio em solo e um tempo superior ao previsto para o fechamento da escotilha da cápsula Orion.

Segundo a Reuters, a agência espacial havia indicado a sexta-feira (20) como data-alvo o dia 6 de março para a decolagem. Com a nova ocorrência técnica, o calendário poderá sofrer novo ajuste.

O que é a missão Artemis II

A Artemis II será a segunda etapa do programa Artemis e marcará o primeiro voo tripulado da nova fase de exploração lunar da NASA.

O programa faz referência à deusa grega Ártemis, irmã de Apolo — uma alusão direta às missões Apollo, que levaram astronautas à Lua entre 1969 e 1972. A proposta atual é levar “a primeira mulher e a primeira pessoa negra à Lua” ainda nesta década, além de estabelecer presença humana sustentável no satélite natural.

A primeira missão, Artemis I, ocorreu em novembro de 2022, sem tripulação. Já a Artemis II transportará quatro astronautas em uma jornada de aproximadamente dez dias ao redor da Lua, sem realizar pouso.

A tripulação deverá atingir cerca de 7.500 quilômetros além do lado oculto lunar, superando a distância alcançada por humanos no espaço profundo desde a Apollo 13, em 1970.

Como será o voo ao redor da Lua

A decolagem está programada para o Complexo 39B, no Centro Espacial Kennedy. Após o lançamento, a cápsula Orion e o estágio superior permanecerão em órbita terrestre por aproximadamente 24 horas.

Durante esse período, os astronautas realizarão inspeções completas dos sistemas e assumirão o controle manual da nave para executar testes inéditos, incluindo manobras próximas a partes do foguete já descartadas.

Em seguida, a Orion seguirá em direção à Lua. Na passagem pelo lado oculto, a comunicação com a Terra ficará interrompida por cerca de 30 a 50 minutos.

Após contornar o satélite, a nave avançará aproximadamente 7.500 quilômetros além da Lua antes de iniciar a chamada trajetória de retorno livre — percurso em que a gravidade lunar auxilia no retorno à Terra, reduzindo a necessidade de grandes acionamentos dos motores.

No total, a cápsula deverá percorrer mais de 2,2 milhões de quilômetros. A reentrada na atmosfera ocorrerá a cerca de 40 mil km/h, com o escudo térmico suportando temperaturas próximas a 3 mil graus Celsius. A amerissagem está prevista para o Oceano Pacífico, onde equipes da NASA realizarão a recuperação.

O foguete SLS e a cápsula Orion

O Space Launch System é considerado o foguete mais potente já desenvolvido pela NASA. Com 98 metros de altura, ele gera aproximadamente 4 milhões de quilos de empuxo.

O veículo conta com dois propulsores laterais de combustível sólido e um estágio central equipado com quatro motores RS-25. Após o esgotamento do combustível do estágio principal, ocorre a separação, e o ICPS — atualmente sob análise devido à falha no fluxo de hélio — assume a propulsão da Orion.

A cápsula Orion foi projetada para suportar as condições extremas do espaço profundo. O módulo de serviço europeu (ESM), desenvolvido pela Agência Espacial Europeia, é responsável por fornecer energia elétrica, propulsão, controle térmico, água e gases essenciais à tripulação.

Além disso, a nave dispõe de um sistema de escape de lançamento, capaz de afastar rapidamente o módulo tripulado do foguete em situações de emergência.

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