
A segurança digital na Europa entrou em uma fase crítica e contínua. Autoridades alertam que ciberataques e ações híbridas deixaram de ser episódios pontuais para se tornarem parte permanente do cenário geopolítico atual.
Durante a Conferência de Segurança de Munique, Lisa Gustafsson, responsável por inteligência externa e cibersegurança no Ministério da Defesa da Suécia, afirmou que a invasão da Ucrânia pela Rússia marcou uma mudança definitiva na forma como os conflitos são conduzidos.
Segundo ela, o continente vive uma disputa prolongada, em que diferentes formas de pressão — militares, econômicas, informacionais e digitais — são aplicadas de maneira contínua e estratégica. Para Gustafsson, o maior erro é acreditar que esses episódios serão raros ou limitados.
Conflitos abaixo do nível de guerra formal
A autoridade sueca explicou que os conflitos atuais muitas vezes não chegam a ser oficialmente declarados. Em vez disso, ocorrem em zonas cinzentas, onde ataques cibernéticos e campanhas de desinformação são utilizados para minar a confiança da população, gerar instabilidade e enfraquecer instituições.
Serviços essenciais como saúde, energia, transporte, telecomunicações e abastecimento estão cada vez mais digitalizados — o que aumenta sua exposição a falhas e ataques. Além disso, estruturas militares dependem diretamente dessas infraestruturas civis para operar de forma eficiente.
Diante desse cenário, a estratégia de defesa precisa ir além do poder militar tradicional, incorporando resiliência social e a capacidade de manter o funcionamento do Estado mesmo sob pressão constante.
O modelo sueco de “defesa total”
Como resposta ao novo contexto geopolítico, a Suécia vem ampliando seu investimento em defesa, no maior programa desde a Guerra Fria. O país também reforça seu sistema de proteção civil com base no conceito de “defesa total”, que envolve toda a sociedade.
Nesse modelo:
-
Autoridades civis são responsáveis pela proteção de serviços públicos essenciais
-
As Forças Armadas cuidam da segurança cibernética de sistemas militares
-
O Centro Nacional de Cibersegurança atua em conjunto com equipes de resposta a incidentes
Em 2024, o governo iniciou a reestruturação do seu sistema de cibersegurança, transferindo o NCSC para a agência nacional de inteligência de sinais. A mudança reflete a nova realidade do país após sua adesão à OTAN, oficializada no contexto da guerra no leste europeu.
Parceria com empresas é essencial
Outro ponto destacado por Gustafsson é o papel central do setor privado, já que grande parte das infraestruturas críticas está sob sua responsabilidade. Por isso, a cooperação entre governo e empresas tornou-se indispensável.
Troca de informações, planejamento conjunto e preparação integrada são pilares fundamentais para garantir a continuidade dos serviços e a segurança nacional diante de ameaças constantes.
A mensagem da Suécia é direta: ataques cibernéticos não são mais exceções. Eles fazem parte de uma disputa estratégica contínua — e a capacidade de resistir e operar sob pressão será decisiva para o futuro das nações europeias.



