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Rússia intensifica bloqueio do WhatsApp e amplia controle sobre plataformas digitais estrangeiras

Governo endurece restrições, afeta Telegram e incentiva uso do app estatal MAX em meio a debate sobre soberania digital

O governo da Rússia ampliou sua ofensiva contra serviços de comunicação internacionais e passou a restringir de forma mais rígida o funcionamento do WhatsApp no país. A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo de fortalecimento do controle estatal sobre plataformas digitais que operam fora da supervisão das autoridades russas.

O WhatsApp classificou a decisão como um “retrocesso” e declarou que seguirá buscando alternativas para manter seus usuários conectados na Rússia. De acordo com a imprensa local, a agência reguladora Roskomnadzor removeu os domínios whatsapp.com e web.whatsapp.com do Sistema Nacional de Nomes de Domínio (DNS), alegando combate a fraudes e atividades criminosas.

Na prática, a retirada do DNS nacional faz com que o aplicativo funcione apenas para quem utiliza VPNs ou serviços externos de resolução de domínio. No entanto, relatos apontam que medidas adicionais estariam sendo adotadas para impedir completamente o acesso à plataforma. Desde 2022, a Meta — empresa controladora do WhatsApp — é considerada “extremista” pelas autoridades russas.

As restrições ao aplicativo começaram a se intensificar em agosto de 2025, quando chamadas de voz e vídeo passaram a apresentar lentidão deliberada. Em outubro do mesmo ano, houve tentativas de barrar o cadastro de novos usuários.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o governo poderia permitir o restabelecimento integral do serviço, desde que a Meta se adeque às leis russas.

A ofensiva não se limita ao WhatsApp. O Telegram também teria enfrentado severas limitações de tráfego nos últimos dias, segundo veículos da imprensa russa. O fundador do aplicativo, Pavel Durov, declarou que o governo estaria estimulando a migração dos usuários para o MAX, aplicativo desenvolvido pela empresa VK.

O MAX tornou-se obrigatório em dispositivos eletrônicos comercializados na Rússia desde setembro de 2025. Embora o governo o apresente como uma alternativa segura para proteger comunicações nacionais contra monitoramento estrangeiro, especialistas independentes apontam possíveis vulnerabilidades na criptografia, amplo acesso governamental aos dados e coleta significativa de informações dos usuários.

Apesar das restrições, muitos cidadãos ainda conseguem acessar WhatsApp e Telegram por meio de VPNs — ferramentas que também vêm enfrentando pressão regulatória crescente.

O cenário reforça a expansão do controle estatal sobre o ambiente digital russo e intensifica o debate internacional sobre soberania digital, criptografia, privacidade e liberdade de comunicação na internet.

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