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Copa do Mundo 2026 pode mexer com a Bolsa: veja quais ações tendem a ganhar e perder com o Mundial

Evento histórico com 48 seleções deve impulsionar setores como varejo esportivo, bebidas e turismo, enquanto outros segmentos podem enfrentar impacto temporário nas vendas e maior volatilidade no mercado.

A Copa do Mundo de 2026, que será disputada nos Estados Unidos, México e Canadá e contará pela primeira vez com 48 seleções, já começa a movimentar não apenas o mercado esportivo, mas também a bolsa de valores. O evento, programado para acontecer entre junho e julho, promete ser o maior da história em audiência, receitas e impacto econômico. E, como destaca análise publicada pelo Valor Investe, alguns setores podem sair ganhando enquanto outros podem sentir efeitos negativos temporários.

Do lado das possíveis vencedoras, empresas ligadas ao consumo tendem a se beneficiar do aumento de demanda gerado pelo torneio. No Brasil, varejistas de artigos esportivos e plataformas de e-commerce aparecem como candidatas naturais a capturar esse movimento. Companhias como Mercado Livre e Grupo SBF, dona da Centauro, podem registrar aumento nas vendas de camisetas oficiais, produtos temáticos, eletrônicos e televisores, especialmente nos meses que antecedem o Mundial.

O setor de bebidas também costuma ser impulsionado em anos de Copa. Fabricantes de cerveja e refrigerantes, tanto no Brasil quanto no exterior, tradicionalmente observam crescimento de volumes durante grandes eventos esportivos, quando bares, restaurantes e reuniões entre amigos elevam o consumo. Esse efeito, no entanto, depende de fatores como clima, desempenho das seleções e condições econômicas gerais.

Empresas ligadas ao turismo e à hospitalidade são outras potenciais beneficiadas, principalmente nos países-sede. Redes de hotéis, companhias aéreas e plataformas de hospedagem podem registrar maior ocupação e tarifas mais altas durante o período dos jogos. Contudo, analistas alertam que, no caso das aéreas, o impacto tende a ser pontual e pode não compensar desafios estruturais como custos elevados e margens pressionadas.

Por outro lado, alguns segmentos podem enfrentar efeitos adversos. O varejo tradicional de moda e setores que não estejam diretamente ligados ao evento podem sofrer com a redução de fluxo em lojas físicas nos dias de jogos importantes. Parte do orçamento do consumidor pode ser direcionada para produtos relacionados ao Mundial, deixando outras categorias em segundo plano.

Outro ponto importante levantado por analistas é que parte do “efeito Copa” já pode estar precificada nas ações. Empresas globais de material esportivo e mídia, por exemplo, costumam incorporar em suas projeções o aumento de vendas e publicidade esperado em anos de Mundial. Isso significa que, se o crescimento vier abaixo do esperado, pode haver frustração e correção nos papéis.

Além disso, o desempenho das ações não depende apenas do evento esportivo. Fatores macroeconômicos como juros, inflação, câmbio e cenário político continuam sendo determinantes para a bolsa. Em um ambiente de incertezas globais, o impacto da Copa pode ser relevante para setores específicos, mas dificilmente será o principal vetor de movimento do mercado como um todo.

Em resumo, a Copa do Mundo de 2026 pode abrir oportunidades táticas para investidores atentos a setores como varejo esportivo, bebidas, mídia e turismo. No entanto, a estratégia exige cautela: o efeito tende a ser temporário, seletivo e condicionado ao contexto econômico mais amplo. Para o investidor, separar entusiasmo esportivo de fundamentos financeiros será essencial para transformar o clima de Copa em ganhos consistentes na bolsa.

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