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BNDES libera R$ 7,5 bilhões em crédito para produtores afetados por crises climáticas

Quase 28 mil contratos foram renegociados em 22 estados, com prazos de até nove anos para ajudar agricultores a recompor a produção

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 7,5 bilhões em operações de crédito voltadas à renegociação de dívidas de produtores rurais atingidos por eventos climáticos extremos. A medida contempla agricultores que registraram perdas recorrentes em ao menos duas safras e busca garantir fôlego financeiro para a retomada da atividade produtiva.

A iniciativa foi viabilizada por meio da Medida Provisória nº 1.314, publicada em outubro de 2025, que permitiu a liquidação e a prorrogação de débitos relacionados a financiamentos de custeio, investimento e Cédulas de Produto Rural (CPR). O prazo para adesão terminou em 10 de fevereiro de 2026.

Ao todo, foram formalizados 27.796 contratos em 754 municípios de 22 estados brasileiros. O valor médio por operação ficou em torno de R$ 270 mil. As condições preveem prazo de pagamento de até nove anos, com carência de um ano, oferecendo aos produtores tempo para reorganizar o fluxo de caixa e planejar as próximas safras.

Do montante total, cerca de R$ 4,8 bilhões foram destinados a agricultores familiares e produtores de médio porte, enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). Os demais R$ 2,7 bilhões foram contratados por outros produtores rurais.

Segundo o presidente do banco, Aloizio Mercadante, a linha de crédito tem papel estratégico na reorganização financeira do campo, permitindo que agricultores afetados por secas, enchentes e outras adversidades climáticas retomem investimentos e mantenham a produção. Ele destacou ainda que a recuperação da atividade rural contribui para a estabilidade da oferta de alimentos e pode ajudar a reduzir pressões inflacionárias.

A medida integra um conjunto mais amplo de ações do BNDES voltadas à adaptação e à resiliência do agronegócio frente às mudanças climáticas. Com a intensificação de eventos extremos nos últimos anos, o crédito emergencial e a renegociação de dívidas têm se tornado instrumentos essenciais para preservar a capacidade produtiva do setor agrícola brasileiro.

O volume liberado reforça o papel do banco de fomento como agente anticíclico em momentos de crise, especialmente em um cenário em que o agronegócio segue sendo um dos principais motores da economia nacional.

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