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Bloquinho da Segurança da Informação aberto neste Carnaval

Por Luciane Couto de Oliveira

Bateria tocando. Glitter no rosto. Calor de 40 graus. Celular na mão. Desbloqueado. Localização ativada. Story em tempo real.

Enquanto a gente pula atrás do trio, tem gente pulando atrás de dados.

Carnaval é multidão, improviso e emoção à flor da pele. E é exatamente nesse cenário que golpes digitais encontram terreno fértil. Não porque as pessoas sejam ingênuas, mas porque estão distraídas. E distração é matéria-prima para engenharia social — técnica que explora comportamento humano em vez de explorar código.

QR Code virou praticamente confete. Está em todos os lugares. Facilita a vida de quem recebe e de quem paga. Aparece no bar improvisado da esquina, no cardápio plastificado, na promoção relâmpago, na venda de abadá de última hora. A gente aponta a câmera, paga e segue dançando. Só que QR Code não tem cara de confiável ou suspeito. Ele apenas direciona para onde foi programado. Pode levar ao site legítimo do estabelecimento. Pode levar a uma página falsa criada para capturar dados de cartão. No meio do bloco, quase ninguém abre o navegador para conferir o endereço completo. É justamente nesse ambiente de pressa e euforia que o golpe encontra espaço.

A rede Wi-Fi aberta também parece um presente: “Carnaval_Free”, sinal cheio, sem senha. Conveniente demais para ignorar. Redes públicas, quando não têm proteção adequada, podem permitir interceptação de dados. Se você acessa banco, e-mail ou faz uma compra ali, pode estar transmitindo informações sensíveis em um ambiente que não controla. Dados trafegam. Alguém pode estar observando. Segurança digital tem muito mais relação com contexto do que com medo.

Outro ponto que costuma passar despercebido é o NFC habilitado no celular ou no cartão. A tecnologia de pagamento por aproximação é prática, rápida e já virou padrão em muitos aparelhos. Em ambientes com grande circulação de pessoas, essa praticidade pede atenção redobrada. Transações por NFC exigem proximidade e um terminal preparado, mas bloquinho que é bloquinho é todo mundo colado, né? Um celular desbloqueado ou um cartão exposto, nesse contexto, pode ser usado indevidamente em caso de descuido ou furto. Pequenos valores passam rápido e às vezes só são percebidos depois, quando chega a notificação ou quando a fatura fecha. Ajustar limites de pagamento, manter o bloqueio de tela ativo e acompanhar as transações reduz bastante o risco. Conveniência e controle precisam andar juntos.

E há a exposição em tempo real. Postar nas redes sociais faz parte da experiência. Quem nunca? O ponto não é a foto; é o conjunto de detalhes que ela entrega. Ingresso visível, pulseira com QR aparente, localização exata ativada, hotel marcado com número do quarto ao fundo. Fragmentos que, isoladamente, parecem inofensivos. Conectados, contam uma história completa. Informação raramente é perigosa sozinha. Ela ganha valor quando alguém sabe organizá-la.

Em grandes eventos, furtos aumentam. Um celular desbloqueado não representa apenas perda financeira. Ele concentra identidade digital: aplicativos bancários, e-mail, redes sociais, autenticações. Bloqueio de tela é básico. Autenticação em dois fatores adiciona uma camada extra. Backup garante que, se algo acontecer, sua memória digital não desapareça junto. Segurança funciona por camadas, como um trio elétrico que só mantém o ritmo porque cada parte cumpre sua função.

Golpes sazonais também ganham força. Falso aluguel para temporada, ingressos inexistentes, links de “after exclusivo”, mensagens urgentes pedindo PIX. Datas festivas criam senso de urgência. E urgência reduz análise crítica. Emoção acelera decisões. Quem aplica golpes entende bem esse mecanismo.

O Bloquinho da Segurança da Informação não está aqui para esfriar a festa. Está para evitar que a quarta-feira de cinzas venha acompanhada de bloqueio bancário, dor de cabeça ou exposição desnecessária. Curtir e proteger seus dados são decisões que podem coexistir. Consciência aplicada à vida real já resolve grande parte do problema.

Glitter sai no banho. Vazamento de dados nem sempre.

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