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UBS alerta para risco de crise de crédito impulsionada pela inteligência artificia

Avanço acelerado de modelos da Anthropic e OpenAI pode elevar inadimplência em empréstimos alavancados e crédito privado nos próximos anos

O impacto da inteligência artificial já provocou fortes oscilações no mercado acionário, penalizando principalmente empresas de software vistas como vulneráveis à nova onda tecnológica. No entanto, segundo análise do banco suíço UBS, o próximo foco de tensão pode surgir no mercado de crédito corporativo.

De acordo com o estrategista Matthew Mish, dezenas de bilhões de dólares em dívidas empresariais podem entrar em inadimplência nos próximos anos, especialmente entre companhias de software e serviços de dados controladas por fundos de private equity. A crescente adoção de IA estaria pressionando modelos de negócios tradicionais e elevando o risco financeiro.

O analista afirma que a instituição revisou rapidamente suas projeções após o lançamento de novos sistemas avançados de IA por empresas como Anthropic e OpenAI. A evolução acelerada desses modelos antecipou expectativas de disrupção que antes eram vistas como algo mais distante.

Segundo Mish, investidores estão sendo obrigados a reavaliar a precificação de risco de crédito, já que o impacto da IA pode ocorrer antes do previsto. O cenário deixou de ser uma preocupação de médio prazo e passou a exigir ajustes imediatos nas estratégias financeiras.

Inadimplência pode ultrapassar US$ 100 bilhões

Em relatório recente, analistas do UBS projetam que tomadores de empréstimos alavancados e empresas financiadas via crédito privado podem registrar entre US$ 75 bilhões e US$ 120 bilhões em novos calotes até o fim do próximo ciclo. As estimativas consideram aumentos nas taxas de inadimplência em mercados avaliados em trilhões de dólares.

Embora esse seja o cenário base, Mish também aponta a possibilidade de um quadro mais severo. Em uma hipótese considerada de “risco extremo” em Wall Street, a transição para a IA poderia ser mais rápida e dolorosa, dobrando as taxas previstas de inadimplência e provocando uma ampla reprecificação do crédito corporativo.

Nesse contexto, haveria impacto direto sobre empresas altamente endividadas, com redução de acesso a financiamento e possível efeito dominó no sistema financeiro.

Setores mais vulneráveis à disrupção

O relatório destaca que empréstimos alavancados e crédito privado estão entre os segmentos mais arriscados do mercado corporativo, pois costumam financiar empresas com grau de investimento inferior e níveis elevados de endividamento, muitas delas controladas por fundos de private equity.

Mish divide o ecossistema de IA em três grandes grupos. O primeiro reúne desenvolvedores de modelos de linguagem de ponta, como Anthropic e OpenAI, que hoje são startups, mas podem se tornar gigantes listadas em bolsa.

O segundo grupo inclui empresas consolidadas com grau de investimento e balanços sólidos, como a Salesforce e a Adobe, que possuem recursos para integrar inteligência artificial em seus produtos e se proteger da concorrência.

Já a terceira categoria envolve companhias de software e serviços de dados com altos níveis de alavancagem financeira, frequentemente pertencentes a fundos de private equity. Segundo o estrategista do UBS, essas são as menos preparadas para enfrentar uma transformação rápida e intensa impulsionada pela IA.

Apesar do aumento dos riscos, o banco ainda não projeta oficialmente o cenário mais crítico. Contudo, o alerta é claro: caso a adoção corporativa da inteligência artificial avance no ritmo atual, o mercado de crédito poderá sentir os efeitos com mais força do que o mercado acionário.

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