A Eseye publicou o relatório “Previsões de IoT para 2026”, destacando que o próximo ano deve representar um ponto de inflexão para o mercado global de Internet das Coisas (IoT). O estudo indica um movimento de reposicionamento estratégico envolvendo conectividade celular, serviços gerenciados e incorporação de inteligência artificial às infraestruturas de rede.
Para Nick Earle, chairman executivo da companhia, 2026 não será apenas um período de ajustes graduais, mas sim um ciclo de transformação estrutural, no qual conectividade, gestão de serviços e IA passam a atuar de forma integrada, alterando a dinâmica competitiva entre empresas e operadoras.
Conectividade fragmentada, multi-RAT e expansão do 5G FWA
Entre as principais tendências apontadas está a fragmentação do cenário global de conectividade celular. Enquanto regiões como Estados Unidos e Ásia-Pacífico aceleram a adoção de redes mais avançadas, partes da Europa enfrentam entraves que dificultam a padronização tecnológica. Nesse contexto, arquiteturas multi-RAT (Radio Access Technology), combinadas a gestão flexível de conectividade e suporte a eUICC/eSIM, tendem a ganhar espaço por permitirem interoperabilidade com tecnologias legadas e adaptação às futuras gerações de rede.
O relatório também destaca a expansão do 5G Fixed Wireless Access (FWA) como alternativa relevante para conectividade corporativa. Segundo Tony Byrne, CEO da Eseye, o diferencial competitivo deixa de estar restrito ao fornecimento de conectividade e passa a envolver uma oferta integrada que combina cobertura, dispositivos e suporte técnico especializado. A expectativa é de que empresas priorizem soluções gerenciadas capazes de simplificar a implementação e a operação de projetos IoT em larga escala.
Operadoras móveis e redefinição do modelo de IoT
De acordo com Ian Marsden, cofundador e CTO da Eseye, o modelo econômico tradicional aplicado à IoT já não se encaixa plenamente nas estruturas legadas das operadoras móveis (MNOs). O estudo aponta que essas empresas precisarão escolher entre expandir sua presença no ecossistema IoT por meio de parcerias estratégicas ou concentrar investimentos em serviços voltados ao consumidor final. Essa decisão pode impactar diretamente organizações que dependem de conectividade internacional para suas operações.
SGP.32, serviços gerenciados e crescimento do AIoT
Outro vetor de transformação citado é o padrão SGP.32. Embora a nova especificação amplie a autonomia técnica das empresas, sua adoção exige validações globais de desempenho e administração de múltiplos perfis de operadoras, o que adiciona complexidade ao processo. Como consequência, a demanda por serviços IoT gerenciados deve crescer, oferecendo centralização operacional e integração simplificada.
O relatório também reforça o avanço do conceito de AIoT — a convergência entre inteligência artificial e IoT. Sistemas baseados em IA têm potencial para converter grandes volumes de dados em automação e análises preditivas. À medida que essas soluções se tornam mais escaláveis, a qualidade e a confiabilidade dos dados captados pelos dispositivos conectados passam a ser fatores críticos para desempenho e vantagem competitiva.
Com esse conjunto de movimentos, 2026 desponta como um período de redefinição estrutural para o mercado global de IoT, marcado pela convergência entre conectividade, serviços gerenciados e inteligência artificial.



