Os Estados Unidos não pretendem se afastar de sua histórica parceria com a Europa e seguem interessados na estabilidade e no fortalecimento do continente, afirmou o secretário de Estado americano Marco Rubio durante a Conferência de Segurança de Munique.
Rubio declarou que o futuro das duas regiões permanece interligado e destacou que os conflitos mundiais do século XX demonstram como o destino dos EUA e da Europa está profundamente conectado. Segundo ele, Washington deseja uma Europa sólida e capaz de prosperar, mantendo uma cooperação estratégica duradoura.
O presidente Donald Trump, por sua vez, tem reiterado críticas ao que considera dependência excessiva europeia em relação à proteção americana, pressionando aliados da OTAN a ampliarem seus investimentos em defesa. A proposta de assumir a Gronelândia, território vinculado à Dinamarca, também gerou desconforto entre líderes europeus recentemente.
Rubio defendeu que o sistema internacional construído no pós-guerra não deve ser abandonado, mas reformulado. Para ele, instituições globais precisam ser atualizadas para enfrentar os desafios atuais, sem que isso signifique o rompimento com a cooperação internacional.
Ao abordar conflitos recentes, o chefe da diplomacia americana afirmou que a liderança dos EUA contribuiu para avanços em temas como a guerra entre Israel e Gaza e o conflito entre Rússia e Ucrânia. Ele avaliou que organismos multilaterais, como a Organização das Nações Unidas, ainda possuem potencial relevante, mas não têm apresentado respostas eficazes às crises mais urgentes.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy agradeceu o apoio norte-americano na resistência contra a ofensiva russa, reconhecendo o suporte recebido tanto dos EUA quanto de países europeus. Ao mesmo tempo, criticou a demora do governo anterior em ampliar o auxílio militar e acusou o Irã de fornecer drones utilizados pela Rússia em ataques contra o território ucraniano.
Europa busca maior autonomia estratégica
Após o discurso de Rubio, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o continente enfrenta pressões externas e precisa fortalecer sua independência em áreas como defesa, energia, economia, tecnologia digital e acesso a matérias-primas estratégicas.
Ela ressaltou, contudo, que uma Europa mais autônoma não significa enfraquecer o elo transatlântico. Pelo contrário, uma União Europeia mais forte contribuiria para uma parceria ainda mais robusta com os Estados Unidos.
Na mesma linha, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, alertou para os riscos de concessões à Rússia, afirmando que políticas de apaziguamento tendem a gerar novos conflitos. Já Wolfgang Ischinger, presidente da conferência e ex-embaixador alemão nos EUA, avaliou que a própria Europa precisa assumir parte da responsabilidade por sua perda de influência global, citando dificuldades em articular posições comuns sobre a China e o Oriente Médio.
O relatório de 2026 da Conferência de Segurança de Munique destacou que o cenário internacional atravessa um período de forte instabilidade, marcado por disputas de poder e mudanças estruturais na ordem global.
Cooperação econômica e reindustrialização
Rubio também defendeu uma renovação da cooperação econômica entre EUA e Europa. Ele criticou políticas que, segundo sua avaliação, estimularam a desindustrialização e a dependência excessiva de cadeias de suprimentos externas.
Para o secretário, uma parceria estratégica pode impulsionar a reindustrialização do Ocidente, fortalecer a produção de minerais críticos e ampliar a liderança em setores como viagens espaciais comerciais, inteligência artificial avançada, automação industrial e manufatura flexível.
Segundo Rubio, uma coordenação mais estreita entre os dois lados do Atlântico pode reposicionar o bloco ocidental como protagonista nas indústrias do século XXI, ampliando competitividade e segurança econômica em um cenário global cada vez mais disputado.



