Os cinco riscos da aviação em 2026 e o papel decisivo da tecnologia
Por Caio Fritzen

A Latam apontou cinco grandes riscos que devem moldar a aviação em 2026, mesmo após o setor registrar lucro líquido recorde de US$ 39,5 bilhões em 2025. Apesar do resultado histórico, a margem líquida projetada de 3,9% revela um setor extremamente sensível a instabilidades. Fragmentação política, gargalos na cadeia de suprimentos, mudanças climáticas, ameaças cibernéticas e incertezas macroeconômicas formam um cenário complexo que exige respostas estratégicas e, cada vez mais, tecnológicas.
A fragmentação de políticas globais e disputas comerciais não impactam apenas tarifas e impostos. Elas afetam sistemas digitais integrados que sustentam a aviação moderna. Plataformas globais de distribuição, redes de pagamentos internacionais, sistemas de compensação entre companhias e até protocolos de dados ambientais dependem de harmonização regulatória. Quando políticas se fragmentam, a interoperabilidade tecnológica sofre, elevando custos e complexidade operacional.
A interrupção na cadeia de suprimentos também tem forte componente tecnológico. Atrasos na entrega de aeronaves não apenas limitam crescimento, mas retardam a adoção de modelos mais eficientes em combustível e sistemas embarcados mais avançados. A modernização de frota hoje não é apenas questão de capacidade, mas de eficiência digital, sensores inteligentes, sistemas de navegação mais precisos e integração com plataformas de manutenção preditiva baseadas em dados.
No campo climático, a transição para emissões líquidas zero depende de tecnologia em larga escala. Combustíveis sustentáveis, otimização de rotas com base em inteligência artificial, análise de consumo em tempo real e modelagem climática são elementos centrais para reduzir impacto ambiental. Sem políticas coordenadas e investimento tecnológico consistente, a meta de descarbonização até 2050 se torna mais distante.
O risco cibernético talvez seja o mais diretamente ligado ao universo do Café com Bytes. A aviação é uma das indústrias mais dependentes de infraestrutura digital crítica. Sistemas de reservas, controle de tráfego aéreo, operações aeroportuárias e logística global funcionam em redes altamente conectadas. A inteligência artificial, ao mesmo tempo que aumenta eficiência, também amplia a superfície de ataque. Desinformação, manipulação de dados e vulnerabilidades em cadeias digitais podem gerar impactos operacionais significativos.
Eu acredito que a aviação de 2026 não será definida apenas por oferta e demanda, mas pela capacidade de integrar tecnologia de forma resiliente. Companhias que dominarem análise de dados, segurança digital, automação inteligente e gestão estratégica terão vantagem competitiva mesmo em margens apertadas. Em um setor onde o lucro por passageiro gira em torno de US$ 7,90, eficiência tecnológica não é diferencial, é sobrevivência.
A macroeconomia, por fim, fecha o ciclo. Flutuações cambiais e instabilidade financeira impactam sistemas de precificação dinâmica, contratos internacionais e fluxo de capital para inovação. A tecnologia se torna ferramenta essencial para mitigar volatilidade, ajustar tarifas em tempo real e preservar margens em um ambiente global incerto.
A aviação sempre foi símbolo de avanço tecnológico. Em 2026, mais do que nunca, o que estará em jogo não é apenas a capacidade de voar, mas a capacidade de operar de forma inteligente, segura e digitalmente integrada em um mundo cada vez mais fragmentado.



