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É Carnaval, mas “Não é Não” também online! Violência digital contra mulheres não é folia.

Por Newton Moraes

O Carnaval acontece também nas telas, nos vídeos que circulam antes mesmo que a música acabe, nas fotos publicadas em tempo real, nas mensagens que atravessam a madrugada. O confete virou bytes e dados, o encontro acontece online e a festa ganhou uma dimensão invisível que poucos percebem, até que algo dá errado, e as mulheres tornam-se ainda mais vulneráveis.

A intensidade das interações cresce. Pessoas se aproximam,desconhecidos conversam, celulares registram tudo. Nesse cenário tem-seviolência híbrida, pois o digital e o físico deixam de ser mundos separados. Uma foto tirada sem autorização, um vídeo compartilhado em grupo sem consentimento, mensagens insistentes após uma negativa clara, perseguições que começam em aplicativos e atravessam a vida real.

Isso porque ainda existe uma fantasia coletiva de que o ambiente digital é um espaço sem fronteiras e sem regras, o que se potencializa nessa época, quando tudo parece mais leve, mais rápido e, supostamente, menos sério. Mas essa folia pode ser desastrosa.

O Carnaval da internet não suspende regras básicas de convivência e de respeito às mulheres. Não transforma insistência em romantismo, exposição em liberdade, muito menos o desrespeito em brincadeira apenas porque estamos em clima de festa, ou na avenida digital, e não relativiza limites, sem importar o tamanho das roupas.

O “não é não” quando dito em voz alta, quando digitado em uma mensagem ou quando manifestado pelo silêncio de quem já decidiu não continuar uma interação.

A liberdade celebrada na festa só existe quando acompanhada de respeito.

Entre confetes e algoritmos, reforçar o cuidado tornou-se essencial. Não apenas com o corpo na multidão. A segurança digital deixa de ser tema técnico para se tornar prática cotidiana de cidadania e até de sobrevivência.

Ainda há quem minimize o assédio online, tratando-o como exagero ou fragilidade. Mas insistência após negativa não é insistência romântica; é invasão. Envio de conteúdo íntimo sem consentimento não é liberdade; é violência. A exposição digital não desaparece quando a festa termina — ela permanece, replica-se, atravessa contextos e pode causar danos profundos.

O desafio contemporâneo é compreender que a tecnologia não cria novos valores; ela apenas amplifica comportamentos existentes. Por isso, enfrentar a violência digital contra mulheres não é um tema secundário do Carnaval — é parte essencial da construção de uma cidadania digital madura, onde liberdade e responsabilidade caminham juntas.

No fim, a festa continua sendo celebração. Mas celebrar exige reconhecer limites. A alegria coletiva só é verdadeira quando protege a dignidade individual.

Porque existe uma regra simples que deveria ecoar entre blocos, notificações e algoritmos:

Não é não, também online!

Algumas atitudes simples podem reduzir riscos de forma significativa:

jamais enviar nudes.
evitar compartilhar localização em tempo real, especialmente em ambientes públicos;
revisar configurações de privacidade antes de publicar fotos e vídeos;
pedir autorização antes de registrar ou compartilhar imagens de terceiros;
não enviar documentos pessoais ou dados sensíveis por aplicativos;
ativar autenticação em dois fatores para proteger contas;
desconfiar de contatos recentes que pressionam por encontros rápidos ou informações pessoais.

No Carnaval hiperconectado, o respeito não pode ficar offline.

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