ColunistasNews
Tendência

Segurança Técnica ou Impacto Financeiro?

Por Diego Baldi

Durante muito tempo, cibersegurança foi tratada como um problema técnico, confinado à TI e acionado quando algo saía do controle. Em 2026, essa leitura já não se sustenta. Cyber deixa de ser área e passa a ser critério de decisão. Não é mais sobre blindar sistemas, mas sobre garantir que o negócio continue operando em um ambiente permanentemente hostil.

Os números explicam por que essa virada é inevitável. Estimativas globais indicam que o custo do cibercrime já ultrapassa US$ 10,5 trilhões por ano, colocando ataques digitais entre os maiores impactos econômicos do planeta (Cybersecurity Ventures). Em paralelo, os investimentos globais em segurança da informação caminham para US$ 240 bilhões anuais, impulsionados por incidentes cada vez mais frequentes e sofisticados (Gartner). O impacto direto também é conhecido: uma única violação de dados custa, em média, mais de US$ 4 milhões por incidente, valor que cresce conforme o tempo de resposta e a exposição pública (IBM – Cost of a Data Breach Report). No Brasil, perdas financeiras associadas a ataques digitais já fazem parte do risco operacional das empresas (Serasa Experian). Em 2026, cyber deixa definitivamente de ser custo invisível e passa a ser impacto financeiro direto.

Nesse contexto, a pergunta dentro das organizações muda radicalmente. Já não se discute se haverá um incidente, mas quando ele ocorrerá e qual será a capacidade real de resposta. Segurança deixa de ser promessa de proteção absoluta e passa a ser gestão consciente de risco, equilibrando continuidade, agilidade e exposição ao longo do negócio.

A partir daqui, o desafio deixa de ser apenas técnico. Ambientes híbridos, cadeias de fornecedores conectadas, APIs, automações e o uso intensivo de IA tornam qualquer noção clássica de perímetro cada vez mais simbólica. Ao mesmo tempo, o vetor humano segue sendo o mais explorado, com engenharia social, deepfakes e ataques cada vez mais contextuais. Em 2026, cultura, processo e decisão pesam tanto quanto tecnologia.

Os incidentes também deixam de ser eventos internos. Eles se tornam públicos, com impacto direto sobre marca, valor de mercado e confiança. Responder mal pode ser tão destrutivo quanto o ataque em si. Nesse cenário, maturidade em cyber vira diferencial competitivo, reduz fricções comerciais e define quem continua operando sob pressão.


No Café Com Bytes, a leitura é direta: em 2026, não vencerá quem prometer proteção total, mas quem souber absorver impacto, decidir rápido e seguir operando. Cyber deixa de ser trincheira. Vira critério de sobrevivência organizacional.

E você: sua empresa ainda trata segurança como área técnica — ou já entendeu que ela é parte central da decisão?

Diego Baldi

Profissional de Tecnologia com mais de duas décadas de experiência em TI, apaixonado por churrasco, comunicação e tudo que envolve boas ideias e bons encontros. Ao longo da minha jornada, atuei em diversos projetos ligados à transformação digital, inovação e segurança da informação, sem nunca perder o olhar curioso e humano sobre as conexões que a tecnologia permite.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo