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Novo Nordisk processa Hims & Hers por venda de versões não aprovadas do Wegovy nos EUA

Ação judicial acusa empresa de telemedicina de comercializar medicamentos manipulados para obesidade, colocando pacientes em risco e violando patentes

A Novo Nordisk anunciou nesta segunda-feira que entrou com uma ação judicial contra a plataforma de telemedicina Hims & Hers, acusando a empresa de vender em larga escala versões mais baratas e não autorizadas do Wegovy, seu medicamento para obesidade em formato de comprimido e injeção, no mercado norte-americano.

No processo, a farmacêutica dinamarquesa solicita que a Justiça impeça de forma definitiva a Hims de comercializar medicamentos manipulados que infrinjam suas patentes, além de requerer indenização por danos. Em nota oficial, a Novo Nordisk afirmou que a empresa estaria “enganando pacientes e colocando a saúde pública em risco”, uma vez que essas cópias não passam por avaliações regulatórias que comprovem segurança, eficácia e qualidade.

A ação intensifica o embate entre as duas companhias. No sábado anterior, a Hims & Hers informou que deixaria de oferecer seu novo medicamento genérico para obesidade após enfrentar pressão de órgãos reguladores federais e ameaças legais da Novo. O plano da empresa era vender a versão oral por US$ 49 no primeiro mês, valor cerca de US$ 100 inferior ao do Wegovy aprovado pela FDA.

Após o anúncio do processo, as ações da Novo Nordisk negociadas em Copenhague avançaram 7,1%, enquanto os papéis da Hims & Hers, listados na Bolsa de Nova York, recuaram 19% no pré-mercado.

A disputa ocorre em um momento estratégico para a Novo Nordisk, que busca recuperar participação no aquecido mercado de medicamentos para obesidade, enfrentando concorrência direta da Eli Lilly e a proliferação de alternativas manipuladas. Essas versões se multiplicaram nos últimos anos devido a uma brecha regulatória que autoriza farmácias e empresas a produzirem cópias de medicamentos patenteados quando há escassez dos produtos originais.

Segundo a Novo, esse cenário mudou. A semaglutida — princípio ativo do Wegovy e de outros medicamentos de sucesso da empresa — não está mais em falta nos Estados Unidos, após a ampliação da capacidade produtiva. A companhia afirma que não há registros de escassez do Wegovy em comprimidos, lançado no país no início de janeiro com forte demanda.

Mesmo assim, estimativas divulgadas pela Novo indicam que até 1,5 milhão de americanos ainda utilizam medicamentos manipulados à base de GLP-1. A Hims sustenta que seus produtos contêm semaglutida e seriam legais por apresentarem dosagens “personalizadas”, embora o composto esteja protegido por patentes nos EUA até 2032.

A farmacêutica rebate essa justificativa, afirmando que não fornece semaglutida a imitadores e acusando a Hims de promover manipulação ilegal em escala industrial. Para a Novo, a prática burla o rigoroso processo de aprovação da FDA, colocando pacientes em risco e prejudicando a inovação científica.

Na última sexta-feira, a própria FDA informou que avalia medidas legais contra a Hims relacionadas à pílula, incluindo a restrição do acesso a ingredientes e o encaminhamento do caso ao Departamento de Justiça por possíveis violações regulatórias.

Nos últimos dois anos, tanto a Novo Nordisk quanto a Eli Lilly intensificaram ações contra farmácias de manipulação, impulsionadas pelo crescimento explosivo da demanda por medicamentos para perda de peso e tratamento do diabetes. A Lilly, inclusive, enfrentou disputas semelhantes envolvendo a tirzepatida, princípio ativo dos medicamentos Zepbound e Mounjaro, que também já não registram escassez nos Estados Unidos.

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