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Nova norma ABNT NBR ISO/IEC 3173 padroniza uso de gêmeos digitais no Brasil

Publicação define conceitos e vocabulário técnico para gêmeos digitais, fortalece a interoperabilidade e impulsiona a maturidade do mercado nacional de IoT

A norma ABNT NBR ISO/IEC 3173 passou a organizar a adoção de gêmeos digitais no Brasil ao estabelecer conceitos, definições técnicas e um vocabulário padronizado para a tecnologia. Publicada em 2026, a iniciativa foi debatida em um evento online promovido pela Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC), responsável por coordenar a tradução e a adaptação de padrões internacionais à realidade brasileira.

O documento conceitua o gêmeo digital como uma representação digital de um ativo físico, conectada a ele por meio de dados e com sincronização contínua entre os ambientes físico e virtual. Segundo a ABINC, a padronização busca diminuir ambiguidades conceituais no mercado, ampliar a interoperabilidade entre soluções e contribuir para o amadurecimento do ecossistema nacional de transformação digital.

Para o presidente da ABINC, Rogério Moreira, a tecnologia tem impacto econômico relevante e relação direta com a Internet das Coisas (IoT). “Esse é um mercado que pode alcançar US$ 110 bilhões em 2028. Estamos aprofundando o debate porque a conexão com IoT é muito forte”, afirmou. De acordo com ele, a entidade tem intensificado ações para consolidar definições técnicas e aproximar empresas, academia e indústria em torno de aplicações concretas.

O líder do grupo técnico da ABINC dedicado ao tema, Bruno Medina, destacou que a norma possui caráter conceitual, não prescritivo. “Ela funciona como uma bússola conceitual, não como um manual de implementação. Apresenta fundamentos e terminologia, sem definir arquiteturas ou tecnologias específicas”, explicou. Para Medina, a falta de uma base comum dificultava a comunicação entre organizações, que adotavam interpretações diferentes para conceitos semelhantes.

Especialistas apontam que a norma ajuda a diferenciar gêmeos digitais de modelos digitais estáticos, simulações pontuais ou visualizações 3D sem conexão dinâmica com ativos reais. Um gêmeo digital envolve a integração entre a entidade física monitorada, sua representação digital estruturada, fluxos contínuos de dados confiáveis e um vínculo consistente entre os dois ambientes.

A integração com IoT foi apontada como elemento central. Sensores conectados coletam dados do mundo físico e alimentam continuamente a representação digital, viabilizando monitoramento em tempo real, manutenção preditiva, simulações e suporte à tomada de decisão. “Não é possível pensar em gêmeos digitais sem essa base de IoT”, reforçou Moreira.

No Brasil, setores como manufatura, infraestrutura, energia e construção civil concentram as aplicações mais maduras da tecnologia, com uso em otimização de processos produtivos, gestão de ativos industriais, planejamento urbano e eficiência energética. Outras áreas, como saúde, cidades inteligentes e mobilidade urbana, avançam de forma mais gradual, ainda enfrentando desafios ligados à infraestrutura de sensores, interoperabilidade e regulação.

A ABINC informou que outras normas relacionadas a gêmeos digitais estão em fase de tradução e adaptação, incluindo diretrizes para documentação de casos de uso e análises de aplicações práticas. A expectativa é consolidar um arcabouço técnico capaz de ampliar a competitividade do Brasil em iniciativas ligadas à IoT, inteligência artificial e digitalização industrial.

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