
Mais de 900 funcionários do Google assinaram uma carta aberta criticando duramente as recentes ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). No documento, os trabalhadores pedem que a empresa revele detalhes de suas relações comerciais com essas agências e rompa os vínculos existentes.
A carta menciona os assassinatos de Keith Porter, Renee Good e Alex Pretti atribuídos ao ICE, afirmando que os signatários estão “profundamente consternados com a violência” e “indignados” com o envolvimento indireto do Google nessas operações. Segundo o texto, a empresa estaria contribuindo financeiramente para um sistema de “vigilância, repressão e violência”.
Os funcionários apontam que o Google Cloud fornece infraestrutura tecnológica para a CBP e apoia sistemas da Palantir, além de citar o ImmigrationOS — plataforma utilizada pelo ICE — como um dos focos da denúncia. O documento também afirma que ferramentas de inteligência artificial generativa do Google são usadas pela CBP e critica o bloqueio, pela Play Store, de aplicativos voltados ao monitoramento das atividades do ICE.
A carta ainda faz referência a uma publicação de Jeff Dean, cientista-chefe do Google, feita no início de janeiro, na qual ele declarou que existe uma “responsabilidade coletiva de se manifestar diante de acontecimentos graves”. Para os funcionários, essa posição entra em conflito com as parcerias mantidas pela empresa.
“Discordamos fortemente das colaborações do Google com o Departamento de Segurança Interna (DHS), a CBP e o ICE”, diz o texto. Os trabalhadores defendem que é dever ético e político da empresa tornar públicos todos os contratos com essas agências e encerrar essas parcerias.
Entre as reivindicações estão o reconhecimento dos riscos enfrentados por funcionários afetados pelas ações do ICE, a realização de uma sessão interna emergencial de perguntas e respostas sobre contratos governamentais, a adoção de medidas de segurança — como políticas flexíveis de trabalho remoto e suporte em questões migratórias — e maior transparência sobre os limites que o Google pretende estabelecer em suas relações com o governo.
“Como trabalhadores conscientes, exigimos que a liderança interrompa a prática de firmar contratos com governos que promovem violência contra civis”, afirma a carta. O texto conclui que o Google estaria se tornando parte de uma cadeia de empresas privadas que lucram com a repressão estatal e convoca os funcionários a se unirem para pôr fim a esse tipo de uso da tecnologia desenvolvida internamente.
Procurado, o Google não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da CNBC.
A iniciativa ocorre em meio a uma pressão crescente de funcionários do setor de tecnologia sobre executivos das grandes empresas. Duas semanas antes, trabalhadores da Amazon, Spotify, Meta e outras companhias também divulgaram uma carta semelhante, pedindo o afastamento do ICE das cidades americanas.



