
Um cidadão de Taiwan foi condenado a 30 anos de prisão nos Estados Unidos por administrar o Incognito Market, uma das maiores plataformas da dark web dedicadas ao comércio ilegal de drogas. A Justiça americana concluiu que o site movimentou mais de US$ 105 milhões em transações envolvendo entorpecentes ao longo de pouco mais de dois anos de operação.
Rui-Siang Lin, de 24 anos, admitiu culpa em dezembro de 2024 no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York. Ele foi detido em maio de 2024 ao desembarcar no aeroporto JFK, em Nova York, durante uma conexão em uma viagem com destino a Singapura. Além da pena de prisão, Lin recebeu cinco anos de liberdade supervisionada e foi condenado à perda de mais de US$ 105 milhões obtidos com as atividades ilícitas.
Segundo registros judiciais, Lin comandou o Incognito Market entre janeiro de 2022 e março de 2024 sob o codinome “Pharaoh”. Nesse período, a plataforma facilitou a comercialização de mais de 1.000 quilos de cocaína, 1.000 quilos de metanfetamina, centenas de quilos de outras drogas e pelo menos quatro quilos de comprimidos vendidos como oxicodona, parte deles adulterados com fentanil. Promotores descreveram o site como “um dos maiores mercados online de narcóticos do mundo”.
Apesar de liderar uma grande operação criminosa digital, Lin residia e trabalhava em Santa Lúcia, onde exercia a função de técnico auxiliar para o governo de Taiwan. Em publicações nas redes sociais, ele chegou a afirmar que havia ministrado um curso de quatro dias para policiais locais sobre cibercrime e criptomoedas, enquanto secretamente comandava um vasto esquema de tráfico na dark web.
De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o Incognito Market reunia cerca de 1.800 vendedores e mais de 400 mil contas de clientes, tendo viabilizado aproximadamente 640 mil transações de drogas. Para operar na plataforma, os vendedores pagavam uma taxa de adesão e repassavam 5% de cada venda a Lin e seus parceiros. As autoridades estimam que ele tenha lucrado pessoalmente cerca de US$ 6 milhões.
A investigação foi conduzida pelo FBI, que iniciou a apuração em 2022 após agentes infiltrados realizarem compras de drogas no site. Mandados de busca foram executados em julho de 2022 e agosto de 2023. O Departamento de Justiça também vinculou o Incognito Market à morte de um jovem de 27 anos, no estado do Arkansas, após a ingestão de comprimidos comercializados como oxicodona, mas que continham fentanil.
Em março de 2024, Lin encerrou repentinamente as operações da plataforma e desviou pelo menos US$ 1 milhão de compradores. Na sequência, passou a extorquir vendedores e clientes, ameaçando divulgar históricos de transações e endereços de criptomoedas caso não recebesse novos pagamentos. Uma das mensagens registradas no processo afirmava de forma explícita: “YES, THIS IS AN EXTORTION!!!”.
Os investigadores conseguiram identificar Lin como administrador do site após ele registrar um domínio utilizando uma carteira de criptomoedas ligada diretamente ao seu nome. As contas estavam associadas a um número de telefone de Taiwan, endereço em Taipei e um e-mail pessoal. As mesmas informações também foram usadas em um pedido de visto americano em 2023, além do uso da carteira de motorista taiwanesa como documento de identidade em transações com criptomoedas.
Ao proferir a sentença, a juíza federal Colleen McMahon afirmou que o Incognito Market transformou Lin em um verdadeiro “rei do tráfico online”, classificando o caso como “o crime relacionado a drogas mais grave” que enfrentou em quase 30 anos de atuação no Judiciário.



