Resiliência Operacional e Cibersegurança: O Novo Padrão do Sistema Financeiro para 2026
Por Edgar Zattar

O setor financeiro atravessa um dos momentos mais decisivos da sua história recente.
A combinação entre o avanço acelerado das ameaças cibernéticas e a evolução do arcabouço regulatório brasileiro está redefinindo o que significa operar com confiança, continuidade e estabilidade.
De um lado, o Allianz Risk Barometer 2026, um dos principais relatórios globais de risco corporativo, aponta os incidentes cibernéticos como a principal preocupação das empresas no mundo.
Do outro, o Banco Central do Brasil consolida um novo marco regulatório com as resoluções CMN nº 5.274/2025 e BCB nº 538/2025, com prazo de adequação até março de 2026.
O recado é direto: resiliência operacional deixou de ser uma escolha estratégica e passou a ser uma exigência essencial.
Um cenário de ameaça em rápida transformação
Os ataques digitais se tornaram mais sofisticados, mais acessíveis e mais velozes.
A ampliação do uso de Inteligência Artificial tem reduzido barreiras técnicas para agentes maliciosos e aumentado a escala das ofensivas. O que antes exigia semanas de preparação, hoje pode ser executado em horas.
Nesse ambiente, organizações não são mais avaliadas apenas pela capacidade de prevenir incidentes, mas pela capacidade de responder, conter e recuperar rapidamente.
Resiliência passou a ser a métrica central.
Confiança como ativo crítico do sistema
Instituições financeiras operam sobre um fundamento inegociável: confiança.
Mais do que proteger sistemas, cibersegurança protege reputação, credibilidade e continuidade. Em um setor regulado e altamente conectado, qualquer ruptura operacional relevante pode gerar impactos que vão além da instituição, atingindo clientes, parceiros e o próprio ecossistema.
Por isso, segurança cibernética deixou de ser apenas um tema técnico. Ela é, hoje, um componente direto de risco operacional e governança corporativa.
Investimento e prioridade estratégica no Brasil
O sistema bancário brasileiro vem respondendo a essa transformação com investimentos crescentes em tecnologia e segurança.
A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025 estima investimentos de R$ 47,8 bilhões no setor, com foco ampliado em:
- Gestão de Identidade e Acesso (IAM)
- Segurança em ambientes de nuvem
- Monitoramento contínuo e centros integrados (SOC e NOC)
- Automação de resposta a incidentes
- Continuidade de negócios e recuperação testada
A lógica se inverteu: segurança não é mais um custo reativo, mas um pilar de sustentação da operação.
O novo marco regulatório: da política à evidência
Com as resoluções CMN 5.274 e BCB 538, o Banco Central estabelece um novo padrão para gestão de risco cibernético e operacional.
O foco deixa de ser apenas a existência de políticas formais e passa a ser a comprovação de capacidade real de execução.
Entre os principais pontos, destacam-se:
- Monitoramento ativo e detecção contínua
Capacidade efetiva de identificar intrusões e responder em tempo real.
- Continuidade operacional e recuperação testada
Planos de contingência que funcionem na prática e sejam regularmente exercitados.
- Governança e envolvimento da alta administração
Participação direta do conselho e da diretoria, tratando risco cibernético como risco crítico do negócio.
Esse movimento alinha o Brasil às melhores práticas globais de resiliência operacional no setor financeiro.
2026 como divisor de maturidade institucional
O ano de 2026 será um ponto de inflexão.
Instituições que tratarem adequação regulatória como obrigação mínima estarão apenas cumprindo um requisito.
Aquelas que transformarem resiliência em vantagem competitiva fortalecerão confiança, sustentabilidade e capacidade de inovar com segurança.
A convergência entre os riscos globais apontados pela Allianz e as exigências do Bacen reforça uma mensagem inequívoca:
O futuro do sistema financeiro será definido pela capacidade de operar sob pressão, responder com velocidade e preservar a confiança.
Resiliência operacional não é um conceito abstrato. É o novo padrão.
Para instituições financeiras, o desafio de 2026 é transformar exigência regulatória em capacidade real de resposta, continuidade e confiança.



