
O YouTube anunciou que passará a permitir compras diretamente dentro do aplicativo a partir de 2026. A novidade foi detalhada na carta anual da plataforma, assinada pelo CEO Neal Mohan, e faz parte de uma estratégia para competir diretamente com a expansão global do TikTok Shop. A proposta é oferecer um sistema de checkout integrado que permita concluir pagamentos sem sair do vídeo ou acessar sites externos.
A era do comércio sem fricção
Segundo Mohan, o recurso é uma prioridade estratégica voltada ao chamado comércio sem fricção. Na prática, quando um criador recomendar um produto em um review, unboxing ou tutorial, um botão de compra aparecerá na tela, possibilitando a finalização da transação de forma instantânea.
A ideia é posicionar o YouTube como um ambiente completo, no qual a descoberta do produto e a compra aconteçam no mesmo espaço, com segurança e continuidade para o usuário. Hoje, mais de 500 mil canais já participam do programa de parcerias de vendas da plataforma, e os resultados iniciais são expressivos.
Até meados de 2025, o volume de transações realizadas por meio dessas parcerias quintuplicou, impulsionado principalmente pela confiança do público nos influenciadores. Para sustentar esse ecossistema, o YouTube informou ter pago mais de US$ 100 bilhões a criadores de conteúdo nos últimos quatro anos.
YouTube Shopping x TikTok Shop
A disputa pelo mercado de social commerce coloca Google e ByteDance em confronto direto. Embora ambas as plataformas tenham como objetivo converter engajamento em vendas, as abordagens adotadas apresentam diferenças claras.
O YouTube aposta em vídeos mais longos, análises detalhadas e tutoriais, explorando a credibilidade e a profundidade do conteúdo como gatilho de compra. Já o TikTok Shop se apoia em tendências virais, vídeos curtos e no impulso gerado por algoritmos de recomendação, com foco em produtos de menor valor.
Enquanto o YouTube prioriza consumidores em busca de informações técnicas e decisões mais conscientes, o TikTok mira compras rápidas, impulsivas e altamente influenciadas pelo feed vertical e transmissões ao vivo.
Inteligência artificial e novas ferramentas para criadores
A inteligência artificial será um dos pilares da evolução do YouTube em 2026. A plataforma lançará ferramentas que permitem a criação de Shorts com avatares digitais do próprio criador, além de sistemas de música assistidos por IA. Segundo Mohan, a tecnologia deve ampliar a capacidade criativa, sem substituir o talento humano.
Outro recurso relevante será a possibilidade de atualizar parcerias comerciais em vídeos antigos. Com isso, conteúdos publicados há anos poderão receber novos links de produtos e ofertas atualizadas, gerando receita recorrente para os canais. Ao mesmo tempo, o YouTube afirmou que vai intensificar o combate ao chamado AI slop, termo usado para descrever conteúdos gerados por IA de baixa qualidade que prejudicam a experiência do usuário.
Segurança, controle parental e bem-estar digital
Para suportar o crescimento do comércio dentro da plataforma, o YouTube reforçou seus sistemas de verificação de idade, com o objetivo de impedir que menores realizem compras indevidas ou acessem conteúdos restritos. A segurança, segundo Mohan, será um dos pilares da estratégia para 2026, especialmente em ambientes que envolvem transações financeiras e dados sensíveis.
No campo do bem-estar digital, a empresa também anunciou novos controles parentais. Pais e responsáveis poderão limitar ou até zerar o tempo de uso do Shorts, além de definir janelas específicas de acesso, buscando reduzir o impacto do consumo excessivo de vídeos curtos entre crianças e adolescentes.
O futuro da economia criadora
Na visão do CEO, o YouTube quer se consolidar como uma infraestrutura completa de negócios para criadores. Em 2024, a plataforma contribuiu com US$ 55 bilhões para o PIB dos Estados Unidos, e a meta é ampliar esse impacto em escala global.
Com o mercado de social commerce caminhando para superar US$ 100 bilhões por ano, o YouTube deixa de ser apenas um repositório de vídeos para se posicionar como um ecossistema onde criatividade, tecnologia e comércio convergem.
Mohan encerrou a carta anual destacando o compromisso com novos criadores. Segundo ele, os maiores nomes do YouTube no futuro ainda estão começando agora, e o checkout integrado deve reduzir significativamente a distância entre produzir conteúdo e gerar vendas reais dentro da plataforma.



