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Spyware disfarçado de WhatsApp e Instagram infecta 45 mil celulares Android em 143 países

Arsink se passa por versões “premium” de apps populares, rouba dados em tempo real e se espalha via Telegram e Discord

Um spyware para Android que se disfarça de aplicativos populares como WhatsApp, YouTube, Instagram e TikTok já infectou ao menos 45 mil vítimas em 143 países, monitorando os dispositivos em tempo real e roubando dados sensíveis. A ameaça, identificada como Arsink, foi analisada por pesquisadores da Zimperium zLabs.

De acordo com o relatório divulgado na última sexta-feira (30), o malware concede acesso praticamente total aos invasores e é distribuído principalmente por meio de canais no Telegram e no Discord. Amostras do spyware também foram encontradas hospedadas no site de compartilhamento de arquivos MediaFire.

Recursos “premium” são usados como isca

Segundo a empresa de segurança cibernética, o Arsink é divulgado como supostas versões “premium” ou “Pro” de aplicativos amplamente utilizados. A promessa é liberar funcionalidades exclusivas que não estariam disponíveis nas versões oficiais.

Após a instalação, o usuário é induzido a aceitar uma extensa lista de permissões para ter acesso às supostas vantagens do aplicativo. Na prática, essas funções não existem, mas as autorizações concedidas permitem que o spyware atue de forma silenciosa e contínua em segundo plano.

Entre as capacidades do Arsink estão a gravação de conversas, leitura de mensagens enviadas e recebidas, acesso a fotos e vídeos, visualização do histórico de chamadas e até o acesso à conta Google vinculada ao aparelho. O malware também pode forçar o dispositivo a realizar ligações, rastrear a localização precisa da vítima e, em casos extremos, apagar remotamente todos os dados armazenados no celular.

Controle remoto e roubo de dados em larga escala

O relatório aponta que os operadores da campanha conseguem enviar comandos em tempo real para os dispositivos infectados. Algumas variantes do spyware ainda permitem a infecção de celulares mesmo quando estão offline, ampliando o alcance da ameaça.

As informações coletadas são enviadas para ao menos 317 bancos de dados diferentes, incluindo pastas ocultas no Google Drive e no Firebase. Esses dados podem ser utilizados para diversas finalidades criminosas, como campanhas de phishing, fraudes financeiras e outros golpes online.

Como se proteger do spyware Arsink

Apesar de o Google ter ajudado a desativar contas e bancos de dados usados pelos criminosos, os pesquisadores alertam que a ameaça continua ativa e pode ressurgir com novas infraestruturas a qualquer momento.

Para reduzir os riscos, a recomendação é baixar aplicativos exclusivamente de fontes oficiais, como a Google Play Store, e analisar com atenção as permissões solicitadas. Ofertas de versões “premium” gratuitas divulgadas em redes sociais, fóruns ou aplicativos de mensagens devem ser evitadas.

O levantamento da Zimperium indica que o Egito concentra o maior número de vítimas, com cerca de 13 mil aparelhos infectados. Em seguida aparecem Iraque e Iêmen, com aproximadamente 3 mil casos cada, além de Paquistão e Índia, com 2,5 mil infecções, e Turquia, com cerca de 2 mil dispositivos comprometidos.

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