
Os preços do ouro e da prata registraram forte recuperação nesta terça-feira, após uma queda histórica nos dias anteriores, movimento que impulsionou ações globais de mineração e fundos atrelados aos metais preciosos.
O ouro à vista avançou cerca de 5,5%, alcançando US$ 4.921,29 por onça. Já os contratos futuros negociados em Nova York subiram mais de 6%, sendo cotados em torno de US$ 4.936,60 por onça por volta das 4h48 (horário do leste dos EUA).
A prata apresentou uma recuperação ainda mais intensa. O metal à vista subiu mais de 9%, para aproximadamente US$ 86,70 por onça, enquanto os contratos futuros em Nova York avançaram cerca de 12%, atingindo US$ 86,49.
O movimento marca uma reação parcial às perdas da sessão anterior. Na sexta-feira, o ouro acumulou queda próxima de 10%, enquanto a prata despencou cerca de 30% na segunda-feira, no pior desempenho diário do metal desde 1980.
A alta dos metais refletiu-se rapidamente nos mercados acionários. Ações de mineradoras e fundos negociados em bolsa (ETFs) ligados ao ouro e à prata registraram ganhos expressivos em diversas regiões do mundo.
Na Europa, o índice Stoxx 600 Basic Resources, que reúne as principais empresas de mineração do continente, subia mais de 2% na manhã de terça-feira. Em Londres, gigantes do setor como Rio Tinto avançaram 2,2%, Anglo American 3,8% e Antofagasta 3,5%. A Fresnillo, maior produtora mundial de prata e destaque do FTSE 100 em 2025, valorizou-se cerca de 4,6%.
Nos Estados Unidos, os ETFs ligados à prata lideraram os ganhos antes da abertura do mercado. O ProShares Ultra Silver registrava alta de 16,1%, enquanto o abrdn Physical Silver e o iShares Silver Trust (SLV) avançavam cerca de 8,5% e 8,6%, respectivamente, este último no centro de uma recente onda de investimentos de varejo.
As ações de mineradoras listadas nos EUA também reagiram positivamente. A Endeavour Silver subia 9,2% no pré-mercado, enquanto a Coeur Mining avançava cerca de 9,4%. Hecla Mining e First Majestic Silver registravam altas superiores a 8%.
A recuperação vai continuar?
Segundo analistas, a retomada ocorre em meio à reavaliação dos investidores sobre se a forte queda recente representou uma mudança estrutural ou apenas uma reação exagerada a fatores de curto prazo.
Estrategistas do Deutsche Bank afirmaram que a experiência histórica aponta para catalisadores temporários. Embora reconheçam que a elevada atividade especulativa vinha se acumulando há meses, o banco avalia que isso, por si só, não explica a magnitude da liquidação observada.
“O ajuste nos preços dos metais preciosos superou a relevância de seus supostos catalisadores. Além disso, as intenções dos investidores em metais preciosos provavelmente não se deterioraram”, destacou o banco em relatório.
A onda de vendas foi atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a valorização do dólar americano, mudanças nas expectativas sobre a liderança do Federal Reserve após a indicação de Kevin Warsh pelo presidente Donald Trump para comandar o Fed, além do encerramento de posições antes do fim de semana.
Apesar da volatilidade, o Deutsche Bank mantém uma visão construtiva para o setor. Segundo o banco, os fundamentos que sustentam o investimento em ouro e prata seguem positivos, e o cenário atual não indica uma reversão prolongada dos preços, traçando paralelos com períodos de correção vistos nas décadas de 1980 e 2013.
O Barclays compartilha uma avaliação semelhante. Embora reconheça sinais técnicos de sobrevalorização e posicionamento esticado, o banco acredita que a demanda por ouro deve permanecer resiliente diante das incertezas geopolíticas, políticas e da busca por diversificação de reservas.
No caso da prata, a volatilidade tende a ser maior devido ao tamanho reduzido do mercado e à maior participação de investidores individuais. Ainda assim, analistas mantêm uma perspectiva positiva para o metal.
“O posicionamento especulativo teve impacto no curto prazo, mas seria simplista atribuir toda a movimentação apenas a isso”, afirmou Zavier Wong, analista de mercado da eToro. Segundo ele, a prata possui uma demanda industrial sólida, especialmente ligada a data centers, infraestrutura de inteligência artificial e energia solar.
Estudos recentes indicam que a demanda global por prata pode crescer de forma significativa até 2030, impulsionada pela expansão da energia solar fotovoltaica e por tecnologias que utilizam maior volume do metal. A projeção aponta para um consumo anual entre 48 mil e 54 mil toneladas, enquanto a oferta deve alcançar apenas cerca de 34 mil toneladas, atendendo entre 62% e 70% da demanda total.
Somente o setor solar pode consumir de 10 mil a 14 mil toneladas por ano, o equivalente a até 41% da oferta global.
“Essa demanda não desapareceu. O que estamos vendo é a prata se valorizando além do nível considerado ideal, algo comum em ciclos de alta”, concluiu Wong.



