
O Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), informou que mais de 25 mil endereços eletrônicos de sites de apostas ilegais foram bloqueados durante o primeiro ano de funcionamento do mercado regulado de bets no Brasil.
A iniciativa foi conduzida em conjunto com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável por executar os bloqueios junto às operadoras de internet, a partir de solicitações feitas pela Fazenda. O volume de URLs barradas corresponde ao período entre outubro de 2024 e dezembro de 2025.
De acordo com a SPA, as ações fazem parte do processo de fiscalização das apostas de quota fixa. Atualmente, 79 empresas possuem autorização para operar legalmente no País. Essas operadoras informaram que cerca de 25,2 milhões de brasileiros realizaram apostas ao longo do último ano.
Para o secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena, 2025 representou um marco na atuação do Estado nesse segmento. Segundo ele, a regulamentação permitiu ampliar o controle sobre o setor, com maior acompanhamento das operações e uso de ferramentas de monitoramento para garantir o cumprimento das normas.
Além da derrubada de sites, a secretaria concluiu 412 processos de fiscalização relacionados à publicidade irregular em redes sociais. Como resultado, foram retirados do ar 324 perfis de influenciadores digitais e removidas 229 publicações. As medidas ocorreram em parceria com entidades como o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e empresas de tecnologia.
Monitoramento financeiro e preocupações com o avanço das bets
Dados da Subsecretaria de Monitoramento e Fiscalização da SPA indicam que 132 procedimentos foram abertos envolvendo 133 empresas de apostas. Desses, 80 ainda seguem em andamento, com possibilidade de aplicação de sanções administrativas.
No enfrentamento às atividades ilegais, o governo também reforçou a supervisão sobre instituições financeiras e meios de pagamento. Até o fim de 2025, 54 instituições encaminharam 1.255 comunicações à SPA, apontando 1.687 pessoas com suspeitas de transferências para plataformas de apostas não autorizadas. A partir dessas apurações, 550 contas bancárias foram encerradas, sendo 265 já classificadas como irregulares.
Apesar dos avanços na regulação, o crescimento acelerado das plataformas de apostas continua gerando preocupação entre órgãos públicos e entidades do setor. No ano passado, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) alertou para riscos como o comprometimento da renda familiar, especialmente entre grupos em situação de maior vulnerabilidade econômica e social.
O setor de telecomunicações também acompanha o tema de perto. Grandes operadoras do País já manifestaram preocupação com o impacto das bets no orçamento dos consumidores, principalmente no segmento pré-pago, onde as plataformas de apostas disputam diretamente o gasto do cliente.



