Mais de 450 profissionais de grandes companhias de tecnologia — entre elas Google, Meta, Amazon e OpenAI — aderiram a um abaixo-assinado pedindo que a liderança dessas empresas atue junto ao governo dos Estados Unidos contra o ICE, agência responsável pela imigração e alfândega. A iniciativa partiu do coletivo ICEout.tech e ganhou força após a morte do enfermeiro Alex Pretti e de outro manifestante durante ações federais realizadas em Minneapolis.
O grupo exige que os executivos adotem duas medidas principais: utilizar sua influência direta com a Casa Branca para retirar agentes federais das áreas urbanas e suspender contratos tecnológicos firmados com o órgão. O episódio evidencia um racha dentro do setor: enquanto funcionários denunciam abusos e violência policial, dirigentes buscam preservar relações institucionais com o governo de Donald Trump para resguardar interesses econômicos.
Profissionais do setor tecnológico pedem uso de influência política e fim de parcerias governamentais
Segundo os organizadores do movimento, a indústria de tecnologia possui um poder de articulação política capaz de interferir em decisões estratégicas do governo norte-americano. Eles citam como exemplo um episódio ocorrido em outubro de 2025, quando contatos feitos por executivos de grandes empresas contribuíram para que a Guarda Nacional não fosse enviada a São Francisco. Para os trabalhadores, essa mesma capacidade deveria ser aplicada agora para conter o que classificam como uma militarização de bairros residenciais.
Outro foco da mobilização é a interrupção do fornecimento de softwares e sistemas digitais que auxiliam o ICE em suas operações de campo. Referências da computação, como Jeff Dean, do Google, e Yann LeCun, da Meta, usaram as redes sociais para criticar duramente a atuação da agência, descrevendo-a como vergonhosa. Na avaliação dos funcionários, ao disponibilizar essas tecnologias, as empresas acabam se tornando cúmplices das ações violentas registradas nas cidades.
Enquanto isso, executivos como Tim Cook, da Apple, e Andy Jassy, da Amazon, mantêm uma estratégia de aproximação com o governo federal para tratar de temas comerciais e regulatórios. Funcionários relataram ao jornal The Washington Post receio de sofrer retaliações ou até demissões caso se manifestem publicamente contra as políticas federais. Entre eles, cresce a percepção de que interesses financeiros, impostos e contratos falam mais alto do que o compromisso com direitos humanos.
O ICEout.tech sustenta que a estabilidade social é essencial para a continuidade dos negócios no setor. A pressão sobre os líderes busca colocá-los diante de uma escolha: preservar contratos públicos lucrativos ou arriscar a perda de talentos e o desgaste da reputação das marcas. Sem uma posição clara das companhias, a tendência é de agravamento das tensões internas e dos impactos negativos na imagem corporativa.
Com informações de Axios e The New York Times .



