
O TikTok anunciou nesta quinta-feira (22) a conclusão da cisão de suas operações nos Estados Unidos, oficializando a transferência do controle da versão americana do aplicativo para um grupo de investidores não chineses. A medida encerra um longo processo de negociações entre Washington e Pequim e assegura a permanência da plataforma no país após a aprovação de uma lei que proibia o funcionamento de serviços sob controle majoritário de empresas chinesas.
Com a nova estrutura, as atividades passam a ser conduzidas pela TikTok USDS Joint Venture LLC, uma joint venture de maioria americana formada por Oracle, Silver Lake e MGX, que detêm, cada uma, participação de 15% no negócio. A controladora chinesa ByteDance manteve 19,9% de participação, abaixo do limite estabelecido pelo governo dos Estados Unidos para caracterizar controle estrangeiro.
Estrutura societária e prazo imposto pelo governo dos EUA
A conclusão do acordo ocorre dentro do prazo de 120 dias definido por uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em setembro do ano passado. O decreto suspendeu temporariamente a aplicação da lei que poderia banir o TikTok no país, permitindo que a empresa realizasse a venda parcial e submetesse a nova estrutura à análise regulatória nos Estados Unidos e na China.
À época, a Casa Branca indicou que o plano previa a criação de uma joint venture com participação minoritária da ByteDance e a atuação de “parceiros de segurança confiáveis” responsáveis por supervisionar sistemas, dados e algoritmos. O objetivo era mitigar riscos de influência do governo chinês sobre a plataforma.
O anúncio é visto como uma vitória para setores do governo e do Congresso americano que, há anos, pressionavam por mudanças na estrutura do TikTok. Esses grupos alegavam que a origem chinesa do aplicativo poderia representar riscos à segurança nacional, além de possibilitar coleta indevida de dados ou disseminação de propaganda.
Segurança de dados e controle de algoritmos
Em comunicado oficial, a TikTok USDS Joint Venture LLC informou que os dados de usuários americanos passarão a ser armazenados exclusivamente na nuvem da Oracle, em território dos Estados Unidos. O sistema seguirá um programa de privacidade e cibersegurança auditado por terceiros, alinhado a padrões internacionais como NIST e ISO 27001.
A nova entidade também será responsável por re-treinar, testar e atualizar o algoritmo de recomendação utilizando apenas dados de usuários dos EUA. O código-fonte e as atualizações de software passarão por revisões contínuas, com suporte da Oracle como parceira de segurança.
Além disso, a joint venture terá autonomia para definir políticas de trust & safety e moderação de conteúdo no mercado americano, com autoridade decisória sobre essas áreas, publicação de relatórios de transparência e busca por certificações independentes.
Conselho administrativo e liderança executiva
A governança da empresa ficará a cargo de um conselho de sete membros, com maioria de diretores americanos. Entre os nomes anunciados estão o CEO global do TikTok, Shou Chew, executivos da Oracle, Silver Lake e MGX, além de Raul Fernandez, presidente da DXC Technology, que assumirá a presidência do comitê de segurança.
A liderança executiva será comandada por Adam Presser, nomeado CEO da TikTok USDS Joint Venture, enquanto Will Farrell atuará como diretor de segurança. Ambos possuem histórico de atuação em áreas ligadas à proteção de dados e governança da plataforma.
Contexto político e impacto para os usuários
O TikTok afirma contar com cerca de 170 milhões de usuários nos Estados Unidos, sendo especialmente popular entre o público jovem. Nos últimos anos, a plataforma também ganhou protagonismo no debate político. Donald Trump, que em seu primeiro mandato defendeu a proibição do aplicativo, mudou de postura e passou a apoiar a reestruturação como forma de manter o serviço ativo no país. Em 2024, ele abriu uma conta na rede social durante a campanha presidencial.
Inicialmente crítico à pressão americana, o governo chinês acabou sinalizando apoio ao acordo após negociações diplomáticas. Na ocasião, Pequim declarou que empresas deveriam conduzir tratativas comerciais “com base nas regras de mercado”.



