O ministro das Comunicações, Frederico Siqueira, afirmou nesta quarta-feira (21) que o governo federal pretende lançar, até março, a política nacional de conectividade para rodovias federais, com início da execução ainda em 2026, em trechos previamente definidos. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa, após a cerimônia de posse do novo presidente da Telebras, Hermano Albuquerque, em Brasília.
De acordo com o ministro, a política está sendo estruturada em conjunto com o Ministério dos Transportes e deverá ser incorporada às novas concessões rodoviárias, integrando a expansão da infraestrutura viária com a oferta de serviços de telecomunicações. Nos trechos que não estiverem sob regime de concessão, a responsabilidade pela implantação da infraestrutura de conectividade ficará a cargo do setor de telecomunicações.
“Vamos lançar a política nacional de conectividade em rodovias até março, com início da execução ainda em 2026, em algumas BRs já definidas”, afirmou Siqueira. Segundo ele, a iniciativa busca coordenar ações entre diferentes áreas do governo para ampliar a cobertura digital nas estradas federais.
Política satelital e soberania nacional
Além do tema rodoviário, o ministro comentou o avanço das discussões sobre o futuro da política satelital brasileira, especialmente diante da proximidade do fim da vida útil do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-1), estimada em mais seis anos. Segundo Siqueira, há tratativas em curso para definir um plano de substituição ou expansão da capacidade satelital ainda em 2026.
O ministro também informou que há expectativa de que empresas chinesas iniciem, ainda este ano, testes com satélites de baixa órbita (LEO) no Brasil, com possibilidade de oferta comercial do serviço à população até o fim do ano. De acordo com ele, tanto o governo quanto as empresas demonstram interesse em utilizar a infraestrutura da Telebras, especialmente os gateways, para a operação desses serviços no país.
Siqueira ressaltou que a definição da estratégia satelital envolve a análise de diferentes arquiteturas, prazos de entrega, custos e capacidades de conexão. As discussões estão sendo conduzidas por um grupo de trabalho interministerial, com participação do Ministério da Defesa, do Departamento Civil e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Consolidação do setor de telecomunicações
Questionado sobre movimentos recentes de consolidação no setor de telecomunicações, envolvendo operadoras e empresas de infraestrutura, o ministro evitou comentar casos específicos, mas avaliou que esse tipo de operação faz parte da dinâmica do mercado. Segundo ele, a consolidação pode fortalecer a capacidade de investimento das empresas, ao proporcionar maior escala e solidez financeira para enfrentar os desafios da transformação digital e da expansão de novas redes.
Rede privativa fixa e móvel
Sobre a rede privativa do governo federal, Siqueira informou que a implantação da rede privativa fixa já está em andamento, com 6.500 pontos em fase de construção. Ele destacou que também está prevista a contratação de serviços de criptografia, por meio da EAF, e que o governo discute os próximos passos da rede privativa móvel.
O ministro afirmou que o Ministério da Justiça é um dos potenciais usuários das redes privativas fixa e móvel, com foco na conexão de presídios de segurança máxima. Segundo ele, a prioridade do Ministério das Comunicações neste momento é viabilizar os 6.500 pontos já contratados, enquanto eventuais expansões e a inclusão de novos órgãos serão debatidas em uma etapa posterior.



