Apple lidera o mundo — e o Brasil segue com apenas uma marca no top 500
Por Guilherme Domingues

Enquanto a Apple consolida sua liderança como a marca mais valiosa do planeta, o Brasil aparece com apenas uma representante no ranking das 500 marcas mais valiosas do mundo: o Itaú Unibanco. O dado, divulgado pela consultoria Brand Finance, vai muito além de uma simples lista de números — ele expõe uma realidade incômoda sobre a presença das marcas brasileiras no cenário global.
O Itaú ocupa a 254ª posição, subindo vinte colocações em relação ao ano anterior, com valor de marca estimado em US$ 9,9 bilhões — um crescimento de 15%. Além disso, o banco alcançou 80,3 pontos no Brand Strength Index, conquistando pela primeira vez a classificação AAA-, indicador de alto reconhecimento e conexão com o público.
É um avanço relevante. Mas também um sinal de alerta.
Apple: mais que tecnologia, uma máquina de marca
A liderança da Apple não é resultado apenas de inovação tecnológica. É fruto de uma estratégia de marca construída ao longo de décadas, combinando design, ecossistema, experiência do usuário e narrativa.
A Apple não vende apenas produtos — vende pertencimento, status e visão de futuro. Esse modelo transformou a empresa em um ativo cultural e econômico global, algo que poucas marcas no mundo conseguiram alcançar.
Hoje, as marcas mais valiosas do planeta têm algo em comum: tecnologia, plataformas digitais e ecossistemas. Apple, Google, Microsoft e Amazon não disputam apenas mercado — disputam relevância.
O Brasil e o desafio de construir marcas globais
O fato de o Brasil ter apenas uma empresa no ranking revela um problema estrutural: o país ainda é forte em commodities, serviços tradicionais e mercados internos, mas fraco na construção de marcas globais.
Mesmo o Itaú, que avançou no ranking, pertence ao setor financeiro — um segmento que cresce mais por escala e eficiência do que por inovação disruptiva.
O Banco do Brasil, que figurava na lista em 2025, ficou de fora nesta edição. Isso reforça uma verdade dura: presença global não é garantida, é construída.
Marca virou ativo estratégico — não apenas marketing
Hoje, marca não é apenas publicidade. É um ativo financeiro capaz de gerar valor de mercado, atrair talentos, fidelizar clientes e sustentar margens de lucro.
No mundo digital, marcas fortes constroem ecossistemas, dominam dados, criam experiências e estabelecem vínculos emocionais com o público.O Brasil ainda constrói boas empresas.
Mas ainda constrói poucas grandes marcas.
O recado do ranking
O ranking da Brand Finance deixa uma mensagem clara:
o futuro não pertence apenas às empresas que produzem — mas às que conseguem ser desejadas, lembradas e globalmente relevantes.
Se a Apple lidera o mundo, não é apenas porque faz tecnologia.
É porque entendeu algo que muitas empresas ainda ignoram:
marca é poder.
E, para o Brasil, o desafio não é entrar no ranking.
É aprender a jogar esse jogo.
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Guilherme Domingues
Colunista — Café com Bytes



