Zero Trust na Vida Pessoal: Como se Proteger de Ligações, Vídeos e Mensagens Falsas
Por Ismael Dambros

Nos últimos dias, um caso envolvendo uma videochamada falsa com o ator Brad Pitt chamou a atenção do público e reacendeu um alerta: golpes por mensagens, ligações e chamadas de vídeo estão cada vez mais sofisticados — e cada vez mais difíceis de identificar.
Para quem trabalha com tecnologia ou segurança da informação, o tema pode parecer repetitivo, mas ainda assim, todos os dias, pessoas comuns continuam caindo em golpes que evoluem na mesma velocidade da inteligência artificial. Vozes clonadas, vídeos falsos e mensagens convincentes já não são mais exceção — são parte da nova realidade digital.
Nesse cenário, um conceito antes restrito ao mundo corporativo se torna essencial também na vida pessoal: Zero Trust. A ideia é simples, mas necessária como nunca: não confiar automaticamente em nada nem em ninguém — nem mesmo quando parece real.
O que é “Zero Trust” na vida pessoal?
Na prática, Zero Trust pessoal significa mudar a mentalidade. É desconfiar por padrão. Número conhecido, voz familiar, chamadas de vídeo… nada disso garante que a pessoa do outro lado é realmente quem aparenta ser.
Assim como no mundo corporativo, na vida pessoal também é necessário validar por outros meios
antes de confiar ou agir.
Não importa quem parece estar falando com você — verifique antes de agir.
Reforçando: isso vale mesmo quando
- A voz parece de um parente ou amigo
- O vídeo parece real
- A mensagem vem de um número conhecido
A tecnologia evoluiu. Golpistas agora usam clonagem de voz, deepfakes e engenharia social*
para explorar nossa confiança.
Golpes modernos: por que estão tão convincentes?
Hoje, um criminoso precisa de poucos segundos de áudio público (redes sociais, WhatsApp, vídeos) para:
- Reproduzir a voz de alguém
- Criar mensagens altamente personalizadas
- Simular chamadas de vídeo curtas, muitas vezes com “problemas de câmera” O objetivo quase sempre é o mesmo: criar urgência e impedir que você pense.
Frases comuns incluem:
- “Estou em uma reunião, não posso falar, faz isso pra mim agora”
- “É uma emergência, depois eu explico”
- “Troquei de número, salva esse aqui”
Como aplicar Zero Trust contra ligações de áudio falsas
- Desconfie de pedidos urgentes
Golpes quase sempre usam a pressa para impedir qualquer tipo de verificação.
- Valide por outro canal
Recebeu uma ligação suspeita?
Desligue e ligue você mesmo para o número que já conhecia anteriormente, mesmo que o número exibido seja igual ao conhecido.
- Crie perguntas de verificação
Combine com familiares perguntas simples que só vocês saberiam responder.
Atenção: essa técnica ajuda a desmascarar muitos golpes, mas não deve ser usada isoladamente como único método de validação.
- Não tome decisões financeiras em chamadas
Transferências, pagamentos ou envio de dados sensíveis nunca devem ser feitos sob pressão.
Como lidar com chamadas de vídeo falsas (deepfakes)
Vídeo não é mais prova de autenticidade. Boas práticas incluem:
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- Pedir para a pessoa fazer algo espontâneo (mover a câmera, dizer algo específico)
- Observar atrasos estranhos, movimentos artificiais ou respostas genéricas
- Confiar no instinto quando algo “não parece certo” Lembre-se: ver não é mais sinônimo de confiar.
Zero Trust para mensagens de texto e WhatsApp Mensagens são hoje o canal mais explorado pelos golpistas. Regras práticas:
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- Nunca clique em links sem confirmar a origem
- Desconfie de erros sutis de escrita em mensagens supostamente “oficiais”
- Não envie códigos, senhas ou documentos por mensagem
- Confirme pedidos sensíveis falando diretamente com a pessoa, por outro meio
Se a mensagem pede segredo ou pressa, o risco é alto. O fator humano: emoções são o maior alvo Golpes funcionam porque exploram:
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- Medo
- Urgência
- Autoridade
- Empatia
Zero Trust não é ser paranoico — é ser consciente. É pausar, respirar e validar antes de agir.
Conclusão: confiança agora precisa ser conquistada
No mundo digital atual, confiança automática virou vulnerabilidade.
Aplicar Zero Trust na vida pessoal não significa desconfiar de todos o tempo todo, mas sim:
✔ Confirmar identidades
✔ Usar múltiplos canais de verificação
✔ Não agir sob pressão
✔ Proteger dados e finanças
A pergunta deixou de ser “isso parece real?”
Agora é: “como posso confirmar que isso é real?”
Essa mudança de mentalidade é, hoje, o melhor antivírus que existe.
A boa notícia é que, por mais algum tempo (talvez não muito), ainda é possível confiar na pessoa que está fisicamente à sua frente. Em breve, nem isso poderá ser garantido sem verificação.
* Engenharia Social: atenção redobrada ao que você publica em redes sociais. Pequenos detalhes, quando combinados, podem ser usados para criar golpes altamente convincentes.



