
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira que pode aplicar tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes da França, após informações de que o presidente francês, Emmanuel Macron, teria recusado participar do chamado “Conselho de Paz” voltado ao conflito em Gaza.
Ao ser questionado por jornalistas em Miami sobre a postura de Macron, Trump minimizou o peso político do líder francês e indicou que usaria medidas comerciais como instrumento de pressão diplomática. Segundo ele, a adoção de tarifas seria uma resposta direta a uma eventual postura hostil da França.
“Ele está de saída e ninguém o quer”, declarou Trump. “Se resolverem agir de forma hostil, vou impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. Aí ele vai acabar aderindo — mas não é obrigado.”
A reação do setor de bebidas alcoólicas nos EUA foi imediata. A Wine & Spirits Wholesalers of America (WSWA) classificou a declaração como uma ameaça comercial de caráter punitivo, alertando para impactos relevantes na cadeia de distribuição.
Para Francis Creighton, presidente e CEO da entidade, a simples possibilidade de tarifas tão elevadas já gera instabilidade. “Quando impostos extremos são associados a temas que não são comerciais, isso cria incerteza em contratos, preços e cadeias de suprimento, além de colocar empregos americanos em risco”, afirmou.
O contexto do mercado torna a ameaça ainda mais sensível. Dados da WSWA indicam que o vinho enfrenta 52 meses consecutivos de queda no volume de vendas nos Estados Unidos. O consumo em bares e restaurantes segue abaixo do esperado, apesar de o setor de alimentação responder por mais da metade da receita do segmento. O champanhe, por outro lado, tem sido um ponto fora da curva, representando cerca de 17% da receita dos espumantes e mantendo trajetória de crescimento — movimento que poderia ser interrompido por tarifas sobre produtos franceses.
As declarações de Trump repercutiram fortemente na Europa. O mandato de Emmanuel Macron termina em maio de 2027 e, pela legislação francesa, ele não pode disputar um terceiro mandato presidencial.
O chamado Conselho de Paz citado por Trump foi aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU em novembro do ano passado e tem como objetivo monitorar o cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Convites foram enviados a diversos líderes internacionais, incluindo Vladimir Putin, Keir Starmer e Narendra Modi.
Além da tensão comercial, Trump voltou a mencionar seu interesse em assumir o controle da Groenlândia, reduzindo a expectativa de oposição europeia. “Não acho que eles vão resistir muito. Precisamos disso. Eles não conseguem proteger”, disse.
O presidente também questionou as reivindicações históricas da Dinamarca sobre a ilha, afirmando que a presença antiga não garante soberania. A Groenlândia esteve sob domínio dinamarquês desde o século XVIII, foi incorporada formalmente em 1953 e recebeu status de autogoverno em 2009, mantendo Copenhague responsável apenas por defesa e política externa.
Na última sexta-feira, Trump voltou a dizer que pretende controlar a Groenlândia “queiram ou não”, citando razões ligadas à segurança global. No sábado, alertou ainda que os EUA podem impor tarifas de até 25% a oito países europeus, incluindo o Reino Unido, enquanto a questão não for resolvida.
Embora não tenha descartado o uso de força militar, Trump sinalizou, por meio do secretário de Estado Marco Rubio, que sua preferência seria negociar a compra do território. Em resposta, países europeus avaliam medidas de retaliação e sanções econômicas mais amplas contra os Estados Unidos.



