AGRONews
Tendência

Mercosul e União Europeia assinam acordo histórico e criam maior área de livre comércio do mundo

Após 26 anos de negociações, tratado entre Mercosul e UE integra mercado de mais de 720 milhões de pessoas e prevê redução de tarifas, regras ambientais e estímulo ao comércio

O Mercosul e a União Europeia assinaram neste sábado (17), em Assunção, capital do Paraguai, o acordo que cria a maior área de livre comércio do mundo, encerrando um processo de negociações que se estendeu por 26 anos.

Antes da assinatura, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou o caráter estratégico do tratado. “Estamos criando a maior área de livre comércio do mundo. Este acordo envia uma mensagem muito clara ao mundo: preferimos o comércio justo às tarifas”, afirmou. Segundo ela, o objetivo é priorizar parcerias produtivas e de longo prazo, com benefícios concretos para cidadãos e empresas de ambos os blocos.

A cerimônia contou com a presença dos presidentes da Argentina, Paraguai e Uruguai, além dos presidentes da Bolívia — que está em processo de adesão ao Mercosul — e do Panamá, convidado especial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou do evento por compromissos de agenda, e o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

O acordo, que enfrenta resistência e debates intensos em alguns países europeus, ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e ratificado pelos congressos nacionais dos países do Mercosul. A expectativa é de que o processo legislativo seja mais complexo na União Europeia e relativamente mais célere na América do Sul.

Histórico e impacto do acordo

O tratado de livre comércio tem potencial para integrar um mercado de aproximadamente 720 milhões de pessoas, sendo cerca de 450 milhões na União Europeia e 295 milhões no Mercosul. A assinatura formaliza o encerramento da fase técnica e política das negociações iniciadas em junho de 1999.

O texto prevê a eliminação gradual de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, abrangendo produtos industriais — como máquinas, equipamentos e automóveis — e itens do setor agrícola. A implementação será progressiva ao longo dos próximos anos, com impactos econômicos que devem ser percebidos de forma gradual.

Segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta exportadora e beneficiar a indústria nacional.

Principais pontos do acordo Mercosul–União Europeia

  1. Eliminação de tarifas alfandegárias
    O Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia zerará tarifas para 95% dos produtos do Mercosul em até 12 anos.

  2. Ganhos imediatos para a indústria
    Diversos produtos industriais terão tarifa zero desde o início, beneficiando setores como máquinas e equipamentos, automóveis e autopeças, produtos químicos e aeronaves.

  3. Acesso ampliado ao mercado europeu
    Empresas do Mercosul terão preferência em um mercado com alto poder aquisitivo e PIB estimado em US$ 22 trilhões, com regras mais previsíveis e menos barreiras técnicas.

  4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis
    Itens como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação, com tarifas aplicadas acima desses limites. O modelo busca evitar impactos bruscos sobre agricultores europeus.

  5. Salvaguardas agrícolas
    A União Europeia poderá reintroduzir tarifas temporárias caso importações cresçam acima de limites definidos ou causem queda acentuada de preços.

  6. Compromissos ambientais obrigatórios
    Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar associados a desmatamento ilegal. As cláusulas ambientais são vinculantes e podem levar à suspensão do tratado em caso de violação do Acordo de Paris.

  7. Regras sanitárias rigorosas
    A UE manterá seus padrões sanitários e fitossanitários, exigindo o cumprimento de regras rígidas de segurança alimentar.

  8. Comércio de serviços e investimentos
    O acordo reduz a discriminação regulatória contra investidores estrangeiros e amplia oportunidades em setores como serviços financeiros, telecomunicações, transporte e serviços empresariais.

  9. Compras públicas
    Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na União Europeia, com regras mais transparentes e previsíveis.

  10. Proteção à propriedade intelectual
    Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias e regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.

  11. Apoio às pequenas e médias empresas
    O tratado inclui um capítulo específico para PMEs, com medidas de facilitação aduaneira, acesso à informação e redução de custos burocráticos.

  12. Impacto para o Brasil
    O país pode ampliar exportações, fortalecer sua inserção em cadeias globais de valor e atrair investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.

  13. Próximos passos
    O acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e ratificado pelos congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A entrada em vigor ocorrerá somente após a conclusão de todos os trâmites legais, especialmente nos temas que extrapolam a política comercial.

    Fonte: Reuters e Agência Brasil.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo