Estudantes do RS criam dispositivo portátil com IA capaz de detectar câncer de pele
Tecnologia desenvolvida em Porto Alegre analisa lesões em segundos e pode facilitar a triagem precoce da doença

Dois estudantes gaúchos desenvolveram um dispositivo portátil movido a inteligência artificial (IA) capaz de identificar sinais suspeitos de câncer de pele, um dos tipos mais comuns da doença no Brasil. Batizado de SkinScan, o equipamento foi criado por alunos de 17 anos do Colégio João Paulo I, em Porto Alegre, e já recebeu reconhecimento na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec).
O aparelho combina uma lente, uma tela sensível ao toque e um pequeno computador, tudo em uma estrutura impressa em 3D, pesando cerca de 500 gramas. O sistema foi treinado com mais de 10 mil imagens de lesões benignas e malignas e, ao capturar 12 fotos de uma área da pele, consegue indicar em cerca de dois segundos se há suspeita de câncer — embora ainda esteja em fase de testes com imagens e não seja aplicado diretamente em pacientes.
Segundo os criadores, a ferramenta não pretende substituir médicos, mas servir como um auxílio na triagem inicial. A tecnologia pode ser especialmente útil em regiões com acesso limitado a dermatologistas, permitindo encaminhamentos mais rápidos para avaliação médica especializada.
O Rio Grande do Sul registra uma das maiores incidências de câncer de pele do país, e o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura, que podem superar 90% quando feito nos primeiros estágios, segundo dados do Ministério da Saúde.
Agora, os estudantes planejam aprimorar a precisão da IA, melhorar os componentes ópticos do SkinScan e iniciar testes supervisionados em parceria com instituições de saúde. O objetivo é tornar o dispositivo uma ferramenta prática e acessível para clínicas, postos de saúde e programas de prevenção.



