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Escassez global de chips de memória deve se prolongar até depois de 2026, alerta Micron

Avanço da inteligência artificial pressiona a produção, eleva preços de RAM e impacta PCs, smartphones e eletrônicos de consumo

A Micron, uma das principais fornecedoras de chips de memória para a Nvidia, alertou que a escassez global desses componentes se intensificou no último trimestre e tende a se estender além de 2026. Segundo a empresa, a rápida expansão da infraestrutura de inteligência artificial criou um cenário considerado sem precedentes, no qual a demanda supera de forma consistente a capacidade produtiva da indústria.

Os efeitos dessa falta de componentes já impactam o planejamento de grandes fabricantes e começam a pesar no bolso do consumidor. Com as três companhias que dominam o mercado global — Micron, Samsung e SK Hynix — operando com estoques comprometidos pelos próximos dois anos, fabricantes de PCs e smartphones revisam metas de produção e se preparam para repassar aumentos de custos aos preços finais.

IA prioriza chips avançados e reduz oferta de memória convencional
A principal causa do desequilíbrio está na produção de memória de alta largura de banda (HBM), essencial para o funcionamento de sistemas de inteligência artificial de alto desempenho. O processo de fabricação é extremamente complexo: para produzir um único bit de HBM, as fábricas precisam abrir mão da produção de até três bits de memória DRAM convencional, amplamente utilizada em notebooks e celulares.

Diante dessa dinâmica, as linhas de produção passaram a priorizar chips voltados à IA, que oferecem maior rentabilidade, enquanto a fabricação de componentes para eletrônicos de uso cotidiano perde espaço.

Preços em alta e impacto no consumidor
Analistas de mercado estimam que os preços da memória RAM possam subir mais de 50% já no primeiro trimestre de 2026. Empresas como Dell e Apple sinalizam que a escassez deve elevar os custos de produção, com a memória podendo representar até 30% do preço final de um smartphone — o triplo do padrão histórico do setor.

No varejo especializado, os reflexos já são visíveis. Kits de memória que custavam cerca de US$ 300 (aproximadamente R$ 1,6 mil) há poucos meses passaram a ser encontrados por valores até dez vezes maiores, evidenciando a pressão sobre toda a cadeia de suprimentos.

Novas fábricas não devem aliviar o cenário no curto prazo
A normalização da oferta depende da construção de novas unidades fabris, mas o alívio não deve ocorrer tão cedo. A Micron iniciou a construção de uma megafábrica avaliada em US$ 100 bilhões, em Nova York, porém a expectativa é que os primeiros chips produzidos no local só cheguem ao mercado a partir de 2030.

Enquanto novas fábricas em Idaho, Virgínia e Taiwan não atingirem plena capacidade — o que deve ocorrer entre 2027 e 2028 —, o setor enfrenta uma mudança estrutural. A partir de agora, dispositivos de uso diário passam a disputar recursos produtivos com supercomputadores que sustentam a corrida global pela inteligência artificial.

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