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EBIA: O Plano Secreto do Brasil para Dominar a IA (Ou Pelo Menos Tentar)

Por Ricardo Brasil

Sabe aquela sensação de quando você descobre um easter egg escondido no código? Foi exatamente assim que me senti ao mergulhar na Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial (EBIA). Sim, pessoal, o Brasil TEM uma estratégia nacional de IA desde 2021, e ela é bem mais ambiciosa do que você imagina.

O Contexto: Brasil, Precisamos Conversar

Primeiro, os números que doem (mas são importantes): enquanto os EUA investiram US$ 224 milhões em startups de IA em 2019, e a China US$ 45 milhões, o Brasil… bem, US$ 1 milhão. Ouch.

Mas calma, não é hora de dar rage quit! A EBIA surgiu justamente para mudar esse jogo. O documento, coordenado pelo MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações), estabelece nove eixos estratégicos para transformar o Brasil em um player relevante no cenário global de IA.

Os 9 Pilares: Um RPG de Estratégia Nacional

A EBIA se estrutura como um verdadeiro skill tree, com nove eixos que vão desde legislação até aplicações práticas:

1. Legislação, Regulação e Uso Ético

Aqui a parada fica séria. A estratégia reconhece que IA sem ética é como código sem testes: vai dar problema. (Nem preciso falar que essa é a parte que mais me interessou, né?). O documento abraça os princípios da OCDE e estabelece diretrizes para evitar vieses algorítmicos e garantir transparência.

Fun fact nerd: A EBIA menciona explicitamente a matriz FAT (Fairness, Accountability, Transparency). Sim, os mesmos princípios que a galera de ML adora debater no Twitter às 2h da manhã. =)

2. Governança de IA

Não adianta ter IA se seus dados são uma bagunça, certo? Este eixo foca em estruturas de governança, sandboxes regulatórios e – pasmem – a criação de um Observatório de Inteligência Artificial no Brasil.

3. Aspectos Internacionais

O Brasil aderiu aos Princípios de IA da OCDE e busca parcerias com BRICS, IBAS e Mercosul. A ideia é não ficar isolado enquanto o resto do mundo avança a mil por hora.

Os Eixos Verticais: Onde a Mágica Acontece

4. Qualificações para um Futuro Digital

Alerta vermelho: apenas 15% dos graduados brasileiros são da área de exatas, contra 40% na China. A EBIA propõe literacia digital em TODOS os níveis de ensino e quer transformar a BNCC para incluir pensamento computacional.

Plot twist: O documento reconhece que precisamos de soft skills também. Criatividade e pensamento crítico não serão substituídos por robôs tão cedo.

5. Força de Trabalho e Capacitação

Aqui vem o dado que vai fazer você repensar a carreira: segundo o IPEA, 35 milhões de trabalhadores formais correm risco de perder seus empregos para automação até 2050. Mas calma, novas profissões surgirão, e é aí que entra o lifelong learning.

6. Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

O Brasil tem 4.429 especialistas em IA cadastrados na Plataforma Lattes. Parece muito? Não é. A estratégia propõe criar centros de pesquisa e aumentar investimento em P&D via programas como o IA² MCTI.

7 & 8. Aplicação nos Setores Produtivos e no Poder Público

Plot twist positivo: o setor público brasileiro já usa IA! Temos:

• Alice, Sofia e Monica no TCU (robôs que analisam licitações)

• Victor no STF (classifica Recursos Extraordinários)

• Elis no TJ de Pernambuco

A meta? Implementar IA em pelo menos 12 serviços públicos federais até 2022.

9. Segurança Pública

Aqui a coisa fica polêmica. O documento aborda reconhecimento facial e policiamento preditivo, mas COM ressalvas importantes sobre viés racial e proteção de dados. Durante a Micareta de Feira de Santana 2019, o sistema capturou 1,3 milhão de rostos (Imaginem isso agora em 2026?). Dessas identificações, menos de 4% resultaram em mandados ou prisões.

Red flag: Estudos mostram que sistemas de reconhecimento facial têm taxa de erro muito maior para pessoas negras. A EBIA reconhece isso e propõe supervisão rigorosa.

O Elefante na Sala: E Agora, José?

O documento foi publicado em 2021. Desde então, vimos a explosão do ChatGPT, o boom dos LLMs e a corrida global pela AGI. A EBIA precisa ser constantemente atualizada – como o próprio documento reconhece, é uma “política viva”.

Desafios que persistem:

• Fuga de cérebros: Como reter talentos quando BigTechs internacionais pagam 10x mais?

• Investimento: Ainda estamos MUITO atrás em funding

• Diversidade: Apenas 14% dos profissionais de IA no Brasil são mulheres

• Infraestrutura: Precisamos de dados abertos de qualidade e poder computacional

Mas qual é a pegadinha?

Se você é dev, gestor de TI ou trabalha com tecnologia, a EBIA não é só mais um PDF governamental. Ela define:

✅ Oportunidades de financiamento para projetos de IA

✅ Diretrizes éticas que vão impactar suas aplicações

✅ Tendências de mercado e áreas prioritárias

✅ Requisitos para licitações públicas envolvendo IA

O Veredicto Final

A EBIA é ambiciosa? Sim. Tem furos? Com certeza. Está desatualizada em alguns pontos? Absolutamente. Mas é um começo NECESSÁRIO.

O Brasil não vai virar a China ou os EUA da noite pro dia em IA. Mas ter uma estratégia nacional é tipo ter um roadmap para seu projeto: melhor do que sair programando sem rumo.

A real: precisamos de mais ação e menos PDF. Mas pelo menos agora temos um plano. E como todo bom código, ele pode (e deve) ser refatorado constantemente.

E você, já conhecia a EBIA? Acha que o Brasil está no caminho certo? Inscreva-se na newsletter do CCB e fique por dentro! ☕🤖

Ricardo Brasil, Especialista em IA Responsável e Diretor de TI na GWS Engenharia 

Colunista Café com Bytes | Tecnologia | Inteligência Artificial

Ricardo Brasil

Executivo de IA e Transformação Digital | Colunista Café com Bytes Com mais de 20 anos liderando inovação e transformação em larga escala nos EUA e América Latina, trago para o Café com Bytes uma perspectiva estratégica sobre o futuro da IA corporativa. Minha jornada começou em cibersegurança, onde construí expertise em gestão de riscos e governança de TI, alicerces que hoje orientam minha atuação em IA Responsável e Agentic AI. Foi na Microsoft que adquiri minha experiência mais significativa em IA, desenvolvendo frameworks de governança e estratégias empresariais que garantem que a IA seja implantada com impacto, ética e escala. Sou autor do livro “5 Passos para a IA Responsável”, onde sistematizo essa abordagem prática para implementação ética de IA nas organizações. Já liderei equipes globais de 500+ profissionais e conduzi integrações pós-M&A e programas de excelência operacional. Combino visão estratégica com execução disciplinada, sempre traduzindo tecnologias emergentes em resultados de negócio mensuráveis. Aqui no Café com Bytes, compartilho insights práticos sobre IA corporativa, governança tecnológica, cibersegurança e liderança em transformação digital para executivos que precisam navegar a revolução da IA com confiança, segurança e clareza estratégica.

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